Emma Bianchini

Foto: Divulgação
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Vendo fotos postadas por um amigo, na internet, chamaram-me a atenção a vida e o colorido de alguns quadros que ele clicara.  Diante de tanta expressividade, fiquei curiosa em conhecer a dona das mãos que manejavam de forma vibrante os pincéis.

Foi assim que tive o privilégio de entrar em contato com Emma Bianchini, nossa entrevistada.

Emma, nome curioso e singular. Este prenome surgiu como um apelido, de origem germânica e significa “o todo”, “o universal”. Nenhum outro nome próprio seria mais preciso, para a autora das telas naïves  que enfeitam este texto. Cada traço não é nada, se  considerado individualmente mas o conjunto prima pela leveza e precisão na escolha dos tons. É o universo que prevalece!

Emma nasceu em São Paulo, no dia 12 de maio de 1950, a quarta dentre dois homens e mais uma moça. Apesar da distância geográfica, levando-se em conta que a família mora no interior,  mantém-se unidos pelos laços de sangue e carinho recíprocos.

Igualmente harmônica é a relação de Emma com o casal de filhos: a moça é advogada e mãe de uma menina hoje, com sete anos e o homem, diretor de artes numa revista, é pai de duas filhas. Três netas que por certo herdaram a criatividade e paixão pela vida da avó dinâmica que soube equilibrar as atividades profissionais com a responsabilidade familiar.

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Taurina, determinada, senso estético aguçado, próprio do signo, Emma logo cedo começou a desenhar modelos de vestidos, que costurava para si e para a família.  Chegou a tentar a carreira de secretaria, numa instituição bancaria mas não conseguiu represar por muito tempo sua criatividade que obrigou-a a assumir-se como pintora.

Depois de telas clássicas, naturezas mortas formais e paisagens, passando pelo abstracionismo, abraçou o estilo Naïf onde encontrou sua verdadeira vocação. Soltou-se neste estilo, permitindo que a alegria tomasse conta das telas, o que faz com que a cada dia ame mais a pintura, as cores e o primitivismo.

Questionada se era uma pessoa religiosa, respondeu que sim. Em suas palavras:

”Creio que Deus é a natureza e a inteligência que temos. Acredito nas coisas boas, nos bons sentimentos, no amor. Sinto que não preciso me ligar a uma religião específica, sempre prestei muita atenção nas várias religiões. Acho que cada uma delas tem um lado bom que procuro incorporar na minha vida sem me ligar a uma só, na verdade acredito na fé e na força do amor. Posso concluir que minha relação com Deus é está nas forças da natureza.”

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Os quadros de Emma são intuitivos, retratam momentos de vida, pensamentos alegres que não raro remontam à infância da autora. Imagens de plantações no interior, folguedos de criança, festas de folclore onde anjos, flores e nuvens coloridas se mesclam com harmonia. Santos da devoção da artista também são representados com carinho: São Jorge, Nossa Senhora de Aparecida, Iemanjá, São Francisco mostrando bem o sincretismo religioso que permite que o bem prevaleça aos credos herméticos.

Nota-se de imediato, ao observar os quadros, a predileção de Emma pelo azul, em todas as suas nuances, sem que peque pelo monocromismo.

Apaixonada pela vida, além da pintura que adora e considera além de trabalho, um hobby, gosta de música de todo gênero: samba, jazz, blues, rock e aí por diante.

O mar ocupa um lugar especial no coração da pintora: quando tem oportunidade, procura velejar. Tem inclusive o sonho de morar em Búzios, montando por lá um ateliê.

Cuida da saúde do corpo, como boa taurina, com malhação na academia. “A idade física e mental são consequências de atos na vida”. Emma afirma ter muito cuidado em afastar pensamentos pessimistas. “Estou sempre aprendendo, aceitando, vivendo”, complementa.

Apaixonada pela vida e pela pintura, ao olhar para trás, lastima não ter lutado mais contra a timidez e ter dito tantas vezes “sim”quando deveria ter dito “não”. Expor-se mais teria sido lutar contra a própria natureza taurina.

Qual o conselho que daria aos leitores do Portal Amantes da Vida?

“Viva bem, um dia de cada vez”.

Esta mulher, cuja força motriz é a alegria de viver, apaixonada pela cor e pela pintura como meio de expressar-se, não poderia ter finalizado de forma melhor a entrevista pela qual agradecemos, de todo o coração.

Foto: Divulgação
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