Elisete Toledo

 

AV – Como milhares de brasileiras, você passou por poucas e boas na escalada da vida. Lá atrás, qual era a sua força propulsora?

ET – Ultrapassado minha luta com problemas de saúde, comecei a ter uma vontade muito grande de crescer. Querer “alargar as estacas da minha tenda” levou-me a dedicar-me com garra e diligentemente em conhecimento! Eu tinha sede de aprender e em busca dos meus temas preferidos. Uma curiosidade incontrolável por saber como tudo funcionava, eu queria “saber como”.

AV – Quando foi seu primeiro contato com a gastronomia, arte a que se dedica hoje com tanto entusiasmo? 

ET – Ainda menina, pois tinha apenas 15 anos, o destino apontou o caminho que eu iria alcançar no futuro bem distante. Ao participar ativamente da organização de um jantar de 600 talheres, para um receptivo ao Cônsul de Portugal, fique alucinada com todo aquele trabalho, e mais ainda após ver as mesas muito bem arrumadas, o requinte do serviço de prata, e a cerimônia do receptivo. Foi então que descobri a minha paixão por gente, coisas belas, bem servir, compostura profissional refinada e como a vida tinha muito a oferecer-me.

AV – Como num futuro bem distante? Você não abraçou ali a sua vocação?

ET – Quando a gente é pequena, os sonhos se confundem. Por ter passado meus 10 primeiros anos de vida com idas constantes ao HC para a reparação de um problema bucal provocado por um acidente aos 15 meses, seguido por uma infecção que me levou a passar meses internada, queria ser médica para repetir o carinho e a atenção dos “meus doutores”. Mas, meu pai tratou de me fazer abandonar o sonho, pois o custo estava longe do seu bolso.

Por gostar de esporte, sonhava em ser atleta chegando até ser convidada para fazer parte da federação de vôlei. Lá veio meu pai de novo dizer que jogar bola não dava futuro a ninguém.

Já que por “noblesse oblige” tive que arregaçar as mangas para me sustentar, lá fui eu estudar datilografia e lembro até hoje do texto que era uma constante nos testes seletivos:

“Um dos problemas mais controvertidos e imensamente relevantes é a perspectiva da mulher no mercado de trabalho.”

Já que era para ser secretária, que fosse em empresas de porte. Assim, comecei na CPFL onde me inteirei sobre organização empresarial, passei pelo setor administrativo e financeiro da Abril e na Johnson & Johnson completei minha fome pelo aprendizado.

AV – Nesta fase então, seu amor pela gastronomia ficou de escanteio?

ET – Hoje vejo que na vida, nada acontece ao acaso. Tendo sido despedida de uma empresa governamental quando estava grávida, movi uma ação onde tive ganho de causa por unanimidade. Claro que passei a ser marginalizada por ter lutado pelos meus direitos. Problema pessoal que acabou me enchendo de orgulho, pois tal resultado virou jurisprudência e nenhuma grávida pode ser despedida mais.

AV – Entrou aí o amor da sua vida, a culinária?

ET – Chegou, mas ainda timidamente. Nestas alturas fui tendo filhos e me restava fazer serviços temporários. Figuração em comerciais veiculados no Chile e Equador, fotos para lançamentos de produtos, e entre um trabalho e outro já começava a despontar o meu futuro. Cozinhava por encomendas, ceias de Natal, almoços, bolos, ovos de Páscoa.

AV – Mergulho assim no seu sonho?

ET – Ainda demorou, pois o destino ainda tinha que me preparar para administrar os eventos que hoje faço. Organizei espetáculos, vernissages, consertos. Mas projetos culturais só saciavam o meu aprendizado mesmo.

AV – Cumprida a sua longa trajetória, aonde chegou a mulher madura de hoje?

ET – Finalmente as peças do quebra cabeça da minha vida se uniram. Cada uma delas foi importante, mesmo as mais sofridas.

Aprendi a respeitar a fragilidade física e a lutar pelos meus direitos. Alcancei conhecimentos de administração e finanças longe dos bancos universitários e cheguei à realização da minha vocação real  a gastronomia.

AV – Resgatar o entusiasmo juvenil é um bem supremo. A que você atribui esta “fonte da juventude”?

ET – Mais uma pecinha se encaixa no meu puzzle, pois gostaria de deixar aos leitores uma citação bíblica “Amor é um dom supremo”. Agradeço a Deus as flores que colocou no meu então árido caminho. Fui contemplada com três filhos maravilhosos e agora uma neta linda. Todos responsáveis pelo pulsar do meu coração, sempre sedento em “saber como” é possível haver um amor imensurável pela vida.

AV – Como você finalmente abraça o seu prazer maior?

ET – Organizo com o maior cuidado meus eventos em torno de “AROMAS E SABORES”. Abro em 2014, no dia 18 de janeiro o curso de oito horas de duração. A culinária Árabe estará sob as batutas do chef argeliano Mokrane Kahal e do chef Antonio Bosco, da Fabrica Dei Sapori. Aberto aos amantes da arte, que ao lado das origens e criação dos pratos formarão em conjunto o ‘grand finale’ – uma farta mesa temática.

As inscrições já estão abertas para os que já curtem e aos que querem entrar no maravilhoso mundo da gastronomia. Basta fazer a reserva pelos telefones 11 34921177. O encontro se dará na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n.551 – Pinheiros – São Paulo.

 

Adicionar comentário