E por falar em saudade… 30 de janeiro é o dia dela…


por Maria Eugenia

 

“Saudade, lembrança triste,
De tudo que já não sou
Passado que tanto insiste,
Em fingir que não passou!”
Edgard Barcellos


Esta trova, ganhadora de um concurso específico sobre o tema “saudade”, ficou gravada em minha memória desde muito cedo e, aparentemente, para sempre. Por que estes quatro versos foram e são tão significativos para mim? Talvez porque indiquem que as pessoas não sentem o tempo passar. Dia após dia, vivemos cheios de obrigações, de trabalho, de compromissos profissionais e sociais e não nos damos conta de que a vida vai passando. Um turbilhão de “aquis” e “agoras” que se transformam em semanas, meses e anos.


Neste corre-corre, há momentos maravilhosos, há dramas, ganhos e perdas. Alegrias concorrem com momentos de depressão, grandes e furtivos amores sobrecarregam nossos corações enquanto os relógios não param. Um verdadeiro saco de Papai Noel, que passamos a carregar pela vida afora desde que nascemos, cada vez mais cheio de emoções e sentimentos. A este incomensurável conteúdo chamamos de passado. Somente a morte fecha a boca deste saco, para sempre. Ainda assim, alguns itens estão armazenados simultaneamente em outros sacos e permanecem assombrando lembranças de diversas pessoas que juntas tiveram as mesmas experiências de vida.


Vez por outra, um acontecimento do presente pinça um item deste saco cheio de passado, expondo-o. Sem regras: pode ser uma música, um cheiro, um nome, o enredo de um filme e eis que vem à tona uma lembrança. Saudade… da infância, da juventude, de lugares? Quem sabe?
O importante destes instantes é rejubilar-se por tê-los vividos – com intensidade tal que permaneceram marcados como tatuagens na alma.
Arrependimentos? Nunca! Só pelas coisas que deixamos de fazer por motivos diversos mas não pelo que fizemos. Muitas bobagens? Talvez mas até delas um dia, quem sabe, sintamos… saudades.

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