É Carnaval!

 

É chegado o momento da mais animada e representativa festa do nosso Brasil!!!

Foto: Divulgação

Com todo o respeito às regiões que preservam as raízes do Carnaval e ressaltando a alegria contagiante dos trios elétricos, são os desfiles das Escolas de Samba que levam o mundo a ficar boquiaberto com o Carnaval do Brasil. E aqui, uma pincelada sobre a origem e organização do maior espetáculo popular da terra.

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Graças à polícia repressora da década de 20, que via nas rodas de samba encontros de vagabundos, a turma que se reunia ao lado da Escola Normal no bairro Estácio no Rio de Janeiro, resolveu formalizar os encontros. Assim, em 18 de agosto de 1928 os preocupados do grupo decidiram que no próximo carnaval sairiam com certa organização. Associando o fato de estarem ao lado da Escola Normal, pomposamente se denominaram Escola de Samba Deixa Falar.

Na verdade, por maior entusiasmo que tenha gerado na população local, a turma que saía de vermelho e branco teve unicamente o grande mérito de ter deixado para a posteridade o “caput” – Escola de Samba – que passou a ser usado em todos os novos blocos que se formavam pelo Brasil.

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No Carnaval de 1932, 19 Escolas de Samba já se apresentaram na Praça Onze e a grande vencedora foi a querida Mangueira. A coitada da Deixa Falar não mostrou a que veio, mas reorganizou-se e tornou-se a linda Estácio de Sá. Àquela época a grande Portela chamava-se Vai quem Pode, mas quando foi ser registrada, o Delegado achou o nome muito esculhambado e sugeriu trocassem por Portela, já que a sede era na Estrada Portela.

Entre brigas e fusões, o brilho das Escolas de Samba só fez aumentar. A partir da década de 60, foliões da classe média começam a invadir as escolas. Dos 90 participantes originais o número já desponta para 1.200. O subsídio da Prefeitura estava há anos luz das necessidades dos sambistas organizados e assim famosos banqueiros do bicho entraram na competição. Castor de Andrade e Anísio Abrão tornam-se os grandes responsáveis pela majestade das escolas.

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Graças a eles, as clássicas escolas como Mangueira, Portela, Salgueiro e Império Serrano começam a dividir os títulos de campeãs com novas concorrentes.

Logo depois que Salgueiro conquistou o bicampeonato em 75, Anísio resolve assumir a então modesta Beija-Flor de Nilópolis e contrata o incrível Joãozinho Trinta que imprimiu um luxo inimaginável. Claro que a renovada escola chega com força total, acabando com a hegemonia das ganhadoras de sempre.

Com o crescimento da cidade, as passarelas foram trocando de lugar, até que em 1983 o governador Brizola resolveu acabar com o monta e desmonta das arquibancadas. Da prancheta de Oscar Niemeyer saiu o projeto do sambódromo carioca, tornando a Marquês de Sapucaí o palco definitivo do espetacular desfile.

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O espetáculo que o mundo inteiro assiste, começa a ser preparado oito meses antes. Cada escola mobiliza milhares de integrantes da comunidade para organizarem o grande dia. Escolhido o enredo, o carnavalesco começa a criar as fantasias e os carros alegóricos. Enquanto isso, nas quadras das escolas o samba é selecionado e em dezembro os ensaios técnicos começam.

O desfile é impressionantemente bem organizado. A Comissão de Frente, antes formada por homens altos e bem vestidos, que não podiam nem olhar para trás, virou um show a parte.

O símbolo de cada escola é representado pela bandeira que é carregada pela Porta Bandeira sob a proteção do Mestre Sala. No início, este levava uma faca simulando a defesa de sua escola. Atualmente para harmonizar-se com os 4 mil integrantes, três casais se dividem entre as alas, mas apenas o primeiro é julgado.

Na ala das baianas a homenagem explícita às senhoras da comunidade que fazem parte da escola há muito tempo. No mínimo 80 mulheres mantém viva as raízes africanas. Com suas enormes saias rodadas, representam a alma da escola e são recebidas sempre sob aplausos incontidos da multidão. O respeito a elas é tão representativo que são agraciadas com suas fantasias e uma assistência médica especial é destacada só para elas.

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Apresentando o coração da escola aos espectadores, destaca-se a musa inspiradora – a Rainha da Bateria, cargo disputado a tapas por beldades conhecidas. Cerca de 300 percursionistas dão vida e energia ao desfile. Por ser uma ala exclusiva da comunidade, as fantasias também ficam a cargo da escola.

Em cima de um esplendoroso carro de som aparece o puxador do samba que através de microfones espalhados pelas alas, promovendo a sincronização da música pelas alas.

A atração principal da escola é formada por no máximo 50 dos seus melhores sambistas que são escolhidos por competição nas quadras. Para garantir que os 700 metros sejam atravessados em perfeita harmonia, cada ala e cada carro alegórico tem um número de pessoas identificadas por camisetas diferenciadas. Eles são os responsáveis pelo tempo estipulado do desfile e pela inexistência de espaços vazios entre as alas.

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Ao todo, são 10 os quesitos que serão julgados por experts nos desfiles Bateria -Samba Enredo – Harmonia – Evolução – Enredo- Conjunto – Alegorias e Adereços – Mestre Sala e Porta Bandeira – Fantasias e Comissão de Frente.

As mesmas regras são seguidas em novas capitais onde escolas locais promovem também maravilhosos desfiles.

E neste Carnaval de 2016 , que nos deslumbrem nas passarelas !!!!!!

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Comentários 7

  • Marilena Fairbanks Barbosa09/02/2013 em 10:53

    Ana , como sempre, uma delicia ler seus artigos ! Este esta’ especial . Adoro saber as origens …
    Ninguém melhor do que vc , sempre com uma alegria esfuziante, para escrever sobre carnaval !
    Bjs

  • Ana Sinhorini09/02/2013 em 10:18

    Muito bom, Ana! Ilustrou meu carnaval!!!

  • Ana Serra09/02/2013 em 10:14

    é isso aó…Carnaval também é cultura!
    muito bom querida, beijos…rasgue a fantasia!!!

  • Elizabeth Valente09/02/2013 em 10:14

    Belíssimo artigo, Ana. Como sempre fruto de mta pesquisa e inspiração. Inclusive elucida a nós todos sobre o começo e a razão de ser de cada uma, desde a sua fundação, bem como de todos os quesitos.Parabéns!

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