Dicas de corredor

 

Como preservar os pés, para que não pifem, com tanto uso?

Foto: Divulgação

Muita gente se surpreende com a quantidade de horas e distancias que percorro nas maratonas (42 km)  e ultra maratonas (acima de 42 km), isto sem contar que, para cada uma delas, o treino é muito duro.

Há uma série de providencias que garantiram ao longo destes 16 anos de “loucuras”  nunca ter parado em função de qualquer tipo de dano neles.

Em primeiro lugar, um detalhe sobre o corte das unhas. Não permita que ninguém corte os cantos das suas unhas (nem você mesmo), sob pretexto nenhum. Unhas encravadas não servem para correr. Devem ser retas, quadradas e sempre um pouco longas, sem ultrapassar o dedo. Nada de cortar rente ao sabugo nem de fazer os pés na semana da corrida. Deixe para depois ou faça bem antes. Isto garante que mesmo tendo aparado demais, elas voltem a crescer até o evento.

Todas as noites, passe vaselina nos pés, pelo menos por um mês seguido, até o dia da prova. Manter a pela macia torna-a mais elástica e resistente aos impactos no solo. Indo além, melhora muito a aparência dos pés. Guarde uma meia velha e depois de passar a vaselina, vista-as. Só lave estas meias uma vez por semana – seus pés estando limpos, elas não vão feder nem nada e conservam a oleosidade acumulada. Caso prefira, há meias de plástico que as manicuras utilizam, quando fazem os pés, que já contém creme. Ainda assim, sugiro que vistam outra meia de algodão por cima para que mantenham as de plástico no lugar durante a noite. Sem elas, corre-se o risco de descalçá-las no meio da noite, com o movimento dos pés. Ainda acho que a vaselina pura é mais densa e efetiva e não contém água, o que impede o aspecto “engelhado” dos pés pela manhã.

Quando comprar tênis para a prática de corrida, nunca opte pelo design, mas sim pelo extremo conforto. Respeite a largura dos seus pés. Mexa os dedos e veja se há espaço bastante para que o movimento não fique cerceado. Entre o final do dedão e o do tênis, tem que haver pelo menos um centímetro e meio a dois de vão, caso contrário, você vai perder as unhas dos pés pelo fato delas baterem na borracha, milhares de vezes seguidas, durante a corrida. O pé sempre vai para frente, ao tocar o solo e se não houver espaço, vai forçar a unha contra o tênis. O tamanho do calçado esportivo tem que ser uma ou duas numerações acima do que é usado socialmente. Melhor parecer Charles Chaplin do que ficar com a cara de vítima do Stan Laurel, o Magro da dupla americana famosa da década de 30, por causa de dor nos pés…

Meias de corrida têm que ser específicas para este esporte. Têm calcanhar e planta do pé reforçado, com maior amortecimento. Você pode optar por meias elásticas para facilitar a circulação ou ainda caneleiras que vão do tornozelo a um ponto abaixo do joelho, mais a meia de corrida, caso sinta o pé oprimido pela meia de pressão. Estes detalhes têm que ser sentidos individualmente, nos treinos, até chegar ao que é melhor para cada um.

Caso surja alguma bolha, jamais fure! Deixe que a pele grude outra vez e descasque naturalmente. Tirar a pele de uma bolha expõe a carne viva e é um caminho certo para inflamações sendo que o tempo de recuperação duplica. Tenha paciência: shit happens… Quando corri 137 km, nas 24 horas (isto mesmo) da corrida dos Fuzileiros Navais no RJ no ano passado, acabei caminhando literalmente sobre bolhas imensas. Nunca tinha visto aquilo acontecer com meus pés, mas também nunca tinha feito um esforço daquela ordem. Mantive a calma e esperei que o líquido fosse absorvido naturalmente e em poucos dias, o aspecto não era dos melhores, mas não havia dor nem infecções. Passei cremes, fiz alguns banhos e já estava tudo pronto para outras doideiras.

Há uma tendência atual para tênis minimalistas, com um mínimo de amortecimento, que advoga a corrida descalça, ou quase. O uso dos mesmos deve ser controlado e a adaptação paulatina para não ferrar com os joelhos o que teria como consequência ter que parar de exercitar-se. O lema é: devagar com o andor que o santo é de barro…

Caso sinta os pés pesados, depois de um treino, deixe-os de molho em água quente e sal grosso por meia hora, enquanto descansa. Passe um creme emoliente que contenha arnica e estarão novos outra vez.

 

Correr é divertido e você não pode ficar preocupada com os pés, enquanto pratica o esporte, portanto estas providências devem ser tomadas previamente e levadas a sério, garantindo que você curta só sua performance e a paisagem. Boas corridas!

 

 

 

Comentário 1

  • MARIA LUCIA MOURÃO18/06/2012 em 22:40

    Olá, Maria Eugenia, minha querida irmã. Admiro muito toda a sua coragem e fibra nas suas corridas. Parabéns, sucesso e que Deus te proteja sempre em todas as suas maratonas na vida.
    Bjs

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