Diana Vreeland

 

Gloria Kalil fala sobre a vida de Diana Vreeland, assunto da sua entrevista com Charles Cosac.

Diana Dalziel, apesar de ter nascido em Paris, em 1903, era filha de mãe americana e pai inglês e foi criada nos EUA, em Nova York, para onde voltou com 1 ano de idade. Era uma menina interessante, inteligente e… feia. Tinha plena consciência disso, pois a mãe a chamava de meu pequeno monstro (e, como se não bastasse, tinha uma irmã considerada linda).

Deve ter sido esse o impulso para se tornar inesquecível e o centro das atenções pela inteligência, pela teatralidade de suas ideias, pelo modo expressivo de falar, e o cuidado com a imagem.

Diana casou-se em 1924 com Reed Vreeland, um homem bonito e, claro, bem vestido. Um dândi impecável – o melhor acessório que ela poderia ter para sua vida. Com ele teve dois filhos e uma vida bastante feliz em família apesar de alguns boatos de escapadas do belo Reed.

Logo depois do casamento, o casal passou uma temporada na Europa e a jovem Diana, que na época ainda não trabalhava, conheceu e se tornou amiga de personalidades da nobreza, das artes e da moda que lhe foram muito úteis ao retornar aos Estados Unidos. A mulher que voltou não se parecia mais com a que partiu; estava mais segura e ainda mais cheia de estilo, a ponto de impactar o esnobe society nova-iorquino. O resultado foi o convite que recebeu em 1936 de Carmel Snow, poderosa diretora da revista Harper’s Bazaar, para escrever uma coluna na revista, a famosa Why Don’t You?

Foto: Divulgação
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De colunista, tornou-se em pouco tempo editora de moda, função que exerceu por 25 anos fazendo um trio de força com Carmel e com Alexey Brodovitch, diretor de arte.

Foram anos de muito trabalho, criação e experimentações, em que seu olhar exigente, sofisticado e artístico trouxe grandes contribuições, não só para a revista, mas para todo o mercado editorial americano e internacional. Ela via o mundo de um modo especial. A beleza, o inusitado, o único, o original eram suas matérias primas. A realidade era sem graça? Inventemos uma fantástica. Ela fez isso com si mesma – como não faria isso com a vida, com o trabalho, com os amigos? Modelos, fotógrafos, editores, diretores de arte se formam e aprendem com ela.

Foto: Divulgação
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Em 1962 ela deixa a revista e aceita trabalhar na concorrente, a Vogue. Ela já é uma celebridade, um ícone, uma autoridade. Sua imaginação, audácia e força de trabalho não têm limites. Nos dez anos que comandou a revista ela produziu os mais interessantes, revolucionários editoriais de moda que se possa imaginar. Faz com Alexander Liberman e sua assistente, Grace Mirabella, um time único de criatividade e força na revista.

Em 1966 Reed morre. Diana jamais deixou que nenhum golpe pessoal transparecesse em sua vida profissional ou pública. Nem morte, nem doenças, nem traições.

Em 1972, no entanto, a revista resolve cortar um pouco essas asas e colocar mais o pé no chão. De um dia para o outro, DV é despedida. Apesar da surpresa e do golpe, jamais um sinal externo de desapontamento. Vai atrás de outro trabalho já que precisava de um salário para tocar sua vida nada simples.

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Aos 68 anos de idade, recebe um convite para exercer o que vai ser seu maior triunfo pessoal e profissional: Consultora Especial do Costume Institute do Metropolitan Museum de Nova York. Ela renova e traz vida e público para este espaço pouco frequentado do museu. Fez exposições memoráveis – a primeira em 1973 com Balenciaga, a última em 1984, com Yves Saint Laurent.

Depois de 1984 sua saúde começou a fraquejar e aos poucos ela vai perdendo a visão até ficar totalmente cega. Em 1986 ela se afasta do mundo e, embora mantenha o espírito ativo e provocante de sempre, não recebe mais ninguém. Como símbolo desta despedida, deixa de pintar os cabelos de negro. Família e amigos muito íntimos continuam a visitá-la; alguns deles vindo com frequência e dando a ela uma grande alegria lendo alto seus livros favoritos (entre estes amigos, André Leon Talley, Jacqueline Kennedy Onassis).

 

Por Gloria Kalil/chic.ig.com.br

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