Dia dos Pais: o valor da dádiva está em dar-se

por Maria Eugenia

Quando era menina, minha mãe nos orientava, à minha irmã e eu, que devíamos dar-lhes – a ela e a meu pai – algo feito por nós mesmas, em datas festivas. Assim, caprichávamos numa música ao piano, fazíamos desenhos, descansos para panelas com cordas, pintávamos pratos, xícaras e canecas – aquelas coisas que esteticamente seriam consideradas horrorosas, não fosse pelo carinho que continham.

 

Nossos pais recebiam extasiados, cobriam-nos de elogios e acredito que, tempos depois, davam um jeitinho de guardar em algum armário bem escondido aqueles “tesouros” de amor filial. Olhe que gastávamos nossa imaginação infantil para chegar ao presente comemorativo de cada data. A regra era: os melhores presentes eram notas altas, frutos de efetivo esforço – nisto, não decepcionávamos nenhum dos dois, mas sempre era preciso algo mais.
Num destes Dia dos Pais, recitei emocionada, para meu pai, um pequeno poema que memorizara com zelo e que dizia:
“És meu pai, qual a formiga,
Tu trabalhas o ano inteiro,
Para o lar que nos abriga,
Para encher nosso celeiro.
E, à medida que crescemos,
Como quem de um sonho sai,
Pela vida afora vemos,
Quanto vale ter um pai!”
Não sei o autor, já procurei, sem êxito, mas até hoje lembro-me do olhar dele, comovido, e do enorme sorriso com que me presenteou. E os versos ficaram gravados para sempre em minha memória.
Acho que tão preocupadas com compras, as pessoas se esquecem de ensinar aos filhos que o valor da dádiva está em dar-se, em homenagear com amor e carinho. Vale tentar pois a vida é feita de momentos.

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