Dia do Leitor

por Maria Eugenia Cerqueira

Dia 07 de janeiro é consagrado anualmente como Dia do Leitor em homenagem ao jornal cearense ” O Povo”, fundado pelo jornalista e poeta Demócrito Rocha nesta data, no ano de 1928.

Interessante observar que este intelectual usava seu jornal não apenas para divulgar o movimento modernista literário cearense, mas também para combater os excessos dos políticos da época – inclusive em termos de corrupção. 

Sou de um tempo em que não havia nem internet nem televisão. Todas as notícias eram veiculadas pelas estações de rádio e pelos jornais.  Ler era vital. A máxima “Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”  era uma norma de vida.

Na casa de meus pais, todos tinham sua própria biblioteca, e coleções extensas como o Tesouro da Juventude, O Mundo da Criança, a Enciclopédia Barsa e a Enciclopédia Inglesa. Os livros coloriam as estantes e para nós eram as portas para o mundo. Alguns autores só me foram permitidos depois de certa idade: meninas se divertiam com as histórias da autora Condessa de Ségur, como ” Os Desastres de Sofia”, “As Meninas Exemplares”, ” O General Dourakine”. ” João que Chora, João que Ri “… Monteiro Lobato, com a série O Sítio do Picapau Amarelo empolgou minha geração: ainda me emociono lembrando-me dos ” Serōes da Dona Benta”…  As Fábulas de Esopo, de La Fontaine, livros recheados de ilustrações maravilhosas e personagens inesquecíveis … O Mágico de Oz, As Crônicas de Nárnia chegaram depois às minhas mãos.  Acesso aos livros de Graciliano Ramos, só quando já estava no ginásio! Não eram leituras próprias para uma menina, no conceito da época. Algumas vezes confesso que burlei estas regras, aventurando-me na leitura de autores mais arrojados…

Como eu gostava de receber um livro novo! Cada página era uma descoberta diferente, um mundo em que o imaginário não tinha barreiras nem limites.  Quantas vezes lia com lanterna, debaixo das cobertas para não alertar meus pais que ainda estava acordada, saboreando as aventuras de algum capítulo importante. E o cheiro dos livros? Até hoje gosto de sentir o aroma que as folhas exalam. Por isto, talvez não tenha me acostumado a ler livros em tablets e computadores. Falta a sensação olfativa. Saudosismo? Não creio: livros são uma paixão imorredoura que alimento visitando livrarias onde quer que eu esteja, pelo mundo afora. Sempre mantenho um ou dois livros na minha cabeceira, para embalar o sono. Com eles, dou forma e asas aos meus sonhos.   Duvida? Experimente. Compre e dê livros de presente. Não precisa WiFi, internet, bateria, nada… quem sabe não se vicia, como eu?

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