Dia de Princesa

por Maria Eugenia 

Quando eu era menina, nos aniversários, podia dar asas à imaginação, vestindo roupas lindas, sonhando com príncipes encantados. O momento em que eu era o centro das atenções, alvo de presentes e carinho de todos. Velas, bolo, doces, gente, minha mãe sempre foi pródiga em comemorações e guardo boas lembranças deste amor e carinho traduzidos em festas.
Cresci, passei a comemorar as datas de filhos, marido, amigos e fica esquecido num canto da memória o quanto eu própria curtia o brilho das comemorações em minha homenagem. Claro que quase sempre chamo amigos no dia do meu aniversário, mas é diferente… sem expectativas nem grandes surpresas, tudo programado por mim mesma.


Recentemente, uma amiga lançou a ideia de fazer uma coletânea de fotos minhas e de outra dileta amiga, com quem compartilho o portal www.amantesdavida.com.br . A princípio, confesso que achei a proposta meio sem graça, com um viés exibicionista que não faz meu feitio. Aceitei, acho que até para agradá-la mais do que por entusiasmo. Fui orientada de que deveria separar diversas roupas, do biquíni ao vestido de festa, aquelas nas quais eu me sentisse melhor integrada. Levei meu look de corredora, é claro, do boné ao tênis.

O resto ficava por conta dos profissionais – fotógrafos, maquiadores, cabeleireiro. Deixei para separar tudo de véspera, acredito até que na esperança da coisa toda ser desmarcada… Fazer caras e bocas… sei não.
Chegado o horário e dia marcados, coloquei no Waze o endereço e lá estava eu numa casa de contos infantis, cheia de plantas, bichos, nichos e recantos aconchegantes, de volta a um mundo de fantasia que julgava ter terminado. Nossos anfitriões – acho melhor classificá-los assim – profissionais é uma palavra fria – eram o máximo!

Minha amiga e eu sendo preparadas, paparicadas, em meio a boas risadas, lanchinhos e bolhas de Champagne. O evento terminou duas horas depois do previsto e acho que ficaríamos lá muito mais, não fossem compromissos do mundo real, que exigiam nossas despedidas.
A amiga novidadeira, que sugerira a empreitada, a folhas tantas, apareceu em nossa festa, acho que só para constatar que tinha tido toda razão quando afirmara que íamos adorar o programa.


Gostei tanto daquele hiato nas obrigações e rol de tarefas a cumprir do dia a dia que abri um espaço no armário das minhas memórias, classificando-o como uma festa de “desaniversário,” como na história da Alice no País das Maravilhas, mais um dia de princesa.


É bom ter amigos que sonham e que nos fazem sonhar.

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