Dia das Mães

 

Aproxima-se a grande data em que os comerciantes deleitam as mães de alegria: Dia das Mães.

Foto: Divulgação

Mês de maio. Nas escolas, as crianças são incentivadas a preparar algo para presentear as progenitoras, feitas por elas mesmas, sob uma relativa supervisão das mestras. Desenhos, porta retratos, corações recortados e cheios de elementos decorativos, cartões e toda uma parafernália de gosto bem duvidoso são entregues por mãozinhas orgulhosas e emocionadas às coitadas que têm que guardar aquelas “coisas”, por anos a fio, até que o tempo se encarregue de dar sumiço, sem que a mãe fique com dor na consciência de lançar ao lixo o que foi feito com tanto carinho para ela! Argh! Não há quem não tenha passado por isso eu, inclusive.

Amor de mãe, a meu ver, é extremamente relativo. Há “mães” e “mães”… Umas dão a vida pelos filhos, outras jogam nas lixeiras ou abandonam numa esquina, sem olhar para trás. Cada qual tem suas próprias razões, seja no bom ou no mal sentido e não cabe a ninguém julgar. Certa feita, assisti um filme em que uma esquimó enchia a boca da primogênita de neve, logo ao nascer pois, se sobrevivesse, poria em risco a família já que o pai não teria condições de arranjar comida para mais uma fêmea, que é incapaz de ajudá-la nas caçadas.

A humanidade é desse jeito – “cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso”. Ninguém se engane: ser mãe é muito bom, gratificante, quando tudo dá certo mas, dá um trabalho danado!

Enquanto está na barriga, beleza pura. Vai-se com o barrigão para todos os lados, vendo sapatinhos e coisas para comprar, o mundo parabenizando o casal, maravilha! Nasceu, a coisa muda de figura: mamadas a cada três horas, noites em claro, fraldas, vômitos, cólicas, resfriados, vacinas e,enfim, a criança está falando… Pelo menos é o que a mãe acha!

Foto: Divulgação

A seguir, escola, livros, cadernos, horários, leva e traz, acorda menino que está na hora, toma esse leite logo! Pouco depois, espinhas, dramas existenciais, revoltas, a mãe passa a ser o elemento mais ignorante do planeta que não pode nem ousar beijar o filho na porta da escola! Mal terminou essa fase, o indivíduo tem que optar pelo que vai fazer da vida. Se a mãe opinar, ferrou-se pois se der certo, é mérito do filho mas se der errado… sabe para quem vai sobrar? Mãe é mãe. Pai não entra no meio de nenhum barraco com filho – ninguém tem trauma e reclama com o psicanalista por causa de pai – é sempre a mãe, a culpada de tudo, desde que a primeira mulher foi destinada a botar filho no mundo. Depois da maçã bíblica, o dilúvio! Hoje, meus filhos são praticamente quarentões e eu, graças a Deus, ultrapassei o Cabo das Tormentas da maternidade praticamente sem escoriações. No Dia das Mães, a esta altura da vida, afortunadamente, não recebo mais nenhum “brinde” escolar: sou levada a comer fora, telefonam, prestam-me homenagens pois têm também que dividir atenções com as sogras, mulher e a própria prole.Quando vejo mulher grávida no meio da rua, do alto de minha experiência, penso: bendita menopausa! Deus é sábio – dá filhos quando a paciência ainda é elástica e inesgotável!

Em tempo: Feliz Dia das Mães!

 

Comentário 1

  • Flor08/05/2013 em 18:08

    Amei o seu artigo, você é muito lúcida e realista. Não sou mãe, mas me identifico plenalmente com o que você falou. Parabéns!

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