Dia da Consciência Negra

 

Pra início de conversa, este feriado deveria ser chamado Dia da Consciência Afro-Brasileira para ser politicamente correto. Considerando, entretanto que no Brasil do século XXI quase metade da população é afrodescendente, não fosse a demagogia politiqueira, o dia deveria ser chamado Dia da Consciência Nacional, isso sim!

Foto: Divulgação

Data em que brancos, pretos, amarelos, azuis e violeta estariam refletindo sobre os deveres descumpridos do Estado.

Em todo caso, a escravidão pelo mundo teoricamente extingui-se na mesma época e entre nós, não houve a percepção da importância de oferecer condições para que os escravos africanos passassem a movimentar a revolução industrial que despontava. Firmou-se a associação do negro como fonte unicamente de trabalho e não como futuro consumidor.

A falta de visão impediu o desenvolvimento intelectual que abriria as portas do futuro aos afrodescendentes.

Nos EUA por sua vez, enquanto a discriminação racial imperava acintosamente aos filhos dos negros perseguidos, já era incutida a maneira para afastarem-se do estigma da pobreza – A dedicação ao estudo. Em apenas um século, os negros que viviam em guetos tornaram-se profissionais competentes usufruindo das benesses advindas do fruto de suas profissões. Desnecessário ressaltar a cor da pele do atual Presidente Barack Obama.

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No Brasil, sem um movimento revolucionário como foi o Black Power nos EUA e sem o interesse político e financeiro em propiciar a escalada social dos descendentes dos africanos, esta parcela da população ficou ao desabrigo.

Até ao final do século passado, era irrisório o número de negros nos bancos universitários. Eram poucos os que tinham condição intelectual e financeira para frequentar universidades públicas ou privadas. Os afro descendentes  despontavam com naturalidade, apenas nas artes e nos esportes. Deparar com a presença do Pelé em um restaurante de luxo era fato que agregava importância ao espaço. Ali estava o Rei do Futebol, que por acaso é um altivo negro retinto!

Apenas neste novo século, os de pigmentação mais forte, começam a ter um peso quantitativo nas faculdades, sobretudo as públicas. De 2001 a 2005, antes, portanto da instituição das cotas, o número de novos alunos afrodescendentes superou o de brancos (125 mil e 72 mil respectivamente), segundo dados do IBGE. Este dado é extremamente esperançoso, pois aponta um crescimento à busca da abertura de novas portas.

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Nesta fase em que assistimos a prisão tumultuada dos ‘mensaleiros’, a figura maior que resgatou valores de moralidade na política, o Presidente do Supremo Federal, Joaquim Barbosa, parece saído de uma tribo africana, tão puramente negra é a cor da sua pele. Sem a menor dúvida, servirá de exemplo para todos os afro-brasileiros. Os aplausos que certamente receberá onde quer que apareça serão indicadores de que se encerrou a fase da associação do negro unicamente ao trabalho braçal. Novos ares fazem Zumbi dos Palmares, colher post-mortem, os frutos de sua luta.

 

Comentário 1

  • Igor21/11/2013 em 12:10

    Prezada Ana Boucinhas;

    A conclusão/elogio ao nosso grande Joaquim é excelente!! Mas vc não citou Martin Luther King, Rosa Parks, eles foram muito mais importantes do que os Black Panthers e efetivamente causaram a grande mudança nos EUA!!! Sem falar no Lyndon Johhson!!!
    Noto que algo aconteceu no Brasil entre o Império e a Republica!!
    Ao final do Império os negros eram proeminentes, mas devem ter ficado do “lado errado” na proclamação da Republica e por isso que até hoje sentem saudades do império nos desfiles das escolas de samba!!!

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