Cultura mexicana

 

Falar em morte de uma maneira alegre… é com o México mesmo.

Durante séculos na alma mexicana é tida como verdade a ideia de que os mortos têm licença para visitar seus amigos do peito e seus parentes uma vez por ano. Claro que com o tempo, passaram a seguir o calendário católico e esta data passou a ser o dia 2 de novembro.

Foto: Divulgação

Um jantarzinho para agradar a turma do além é preparado no capricho. Entre vasos de cempasuchti, umas flores amarelas da época, um respeitoso altar é montado para acomodar o banquete  a ser servido. Pães em formato de ossos acompanham a comida preferida dos ancestrais e espera-se que os convidados tragam deliciosos chocolates em forma de caixão, ou caveiras de açúcar bem incrementadas.

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Aparentemente, a comemoração era feita na maior intimidade. Mas a partir do final do século XIX a coisa extrapolou. Um renomado artista chamado Jose Guadalupe Posada começou a interpretar a vida cotidiana dos mexicanos, por meio de caveiras. Mesmo sem ser proposital, Posada acabou dando a maior força para a consolidação do dia dos mortos e a festa saiu para as ruas.

Desde então, a partir de meados de outubro, os estoques de caveiras, de esqueletos e toda a enorme gama de objetos macabros saem feito água das lojas. Nas doceiras os tais mini caixões de chocolate e caveiras onde lantejoulas dão o toque de luxo, começam a ser encomendados para o grande dia de troca de presentes.

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Nos supermercados, gôndolas repletas de pães nas mais diferentes formas de ossos, almas e figuras relacionadas com a morte acomodam-se ao lado do carro chefe – o Pão dos Mortos! Este costuma ser bem incrementado com coloridas caveiras.

À medida que se aproxima o dia 2 de novembro, as ruas vão se infestando de camelôs repletos de quinquilharias mórbidas. Caveiras chamativas vão sendo dependuradas nos postes e esqueletos nas mais diversas posições começam a ser colocados nas janelas dos prédios. Bares, restaurantes e hotéis vão dando início aos cenários que deverão estar prontos no dia 31 de outubro.

Quanto mais importante o local, maior a riqueza nos detalhes das caveiras e ossadas. Os saguões dos grandes hotéis disputam entre si o luxo e a criatividade. Em enormes mesas suntuosas preparadas para a ceia, esqueletos chiquérrimos ostentando brincos, colares, anéis e pulseiras com muito brilho, acomodam-se nas cadeiras. Os esqueletos não deixam por menos e para acompanhar as damas, portam cartolas, fraques e bengalas. Alguns esqueletos compõem a cena simulando estarem chegando com seus bois pretos, seus chapéus de plumas e suas luvas.

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Chegado o grande dia, a quantidade de caveiras espalhadas pelas ruas, passa a idéia de que abriram as portas do Paraíso e saiu todo mundo pras baladas. Nos cemitérios, animadas bandas alegram os que resolveram ir ao encontro dos menos efusivos.

A festa é tão, mas tão peculiar, que acabou sendo declarada  PATRIMONIO INTANGIBLE DE LA HUMANIDAD POR LA UNESCO no ano de 2003.

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Comentário 1

  • Maria de Lourdes Vieira Silva24/10/2013 em 20:52

    Super interessante!
    A morte não é de fato um final. A vida prossegue!

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