Contos de fadas

 

Os contos de fadas merecem apreciações de renomados psicólogos, que ressaltam a importância das situações descritas, como representativa ajuda no crescimento emocional da criança. Os clássicos, aparentemente oriundos da China, foram em sua maioria compilados no século XIII por Charles Perrault e pelos irmãos Grimm e se perpetuaram até hoje.

A dramaticidade das situações dos personagens a estudiosos, certamente são de vital importância. Mas para leigos, como eu, gera estranheza. Pra começo de conversa, raramente o personagem principal vive sob um lar convencional. Já são apresentados como órfãos, gerando de imediato uma insegurança na criancinha que ouve a narração.

A coitada da Branca de Neve, órfã de pai, pagou caro o fato de ser bonita. Até encontrar o tal Príncipe Encantado, comeu o pão que o diabo amassou.

Virando objeto de inveja da malvada madrasta, a jovenzinha saiu sozinha à noite, pela assustadora floresta a fim de preservar sua vida, pois seu coraçãozinho era objeto de desejo da viúva do seu pai. Entre trancos e barrancos, foi parar na casa de um bando de anões bagunceiros, imundos, acabando virando escrava daqueles folgados.

Os únicos que entenderam a fria em que ela se meteu, eram os passarinhos que tentavam mostrar a realidade, mas e doce menina não captava e lá ia ela assobiando para dar alegria também aos amiguinhos. Fora o lance da maçã que a levou a um ataque cataléptico e ali permaneceu até surgir do meio do nada, um lindo cheiroso, bem-vestido e apaixonado príncipe.

A pobre da linda Cinderela, órfã de pai, é claro, além da cruel madrasta, ainda teve que engolir duas irmãs postiças, da pior espécie de caráter.

A linda mocinha passou anos esfregando o chão, cuidando das malcriadas mulheres da casa e sempre feliz ao lado dos seus amiguinhos ratinhos e passarinhos. Ainda bem que pintou uma bisavó serelepe de David Cooperfield e num passe extraordinário de mágica, armou toda a pompa e circunstância para a pobre Gata-Borralheira conhecer e acabar se casando com o príncipe.

O pai do João pé de feijão não era chegado no batente e morreu à míngua, depois que o gigante surrupiou sua fonte de renda- a galinha dos ovos de ouro. É de se notar que o maior sacrifício que o menino encarava, era o de tomar sopa feita só com a casca de batata. Interessante também ser considerado, que não acabou com nenhuma princesa encantada.

E a outra entediada então, que não tendo o que fazer ao lado do lago, resolveu beijar na boca de um sapo. Imagino o susto que levou quando o réptil transformou-se num garboso… príncipe encantado.

Uma que vivia sob um lar tranqüilo, rico, bem estruturado, era a já princesa Aurora. A ansiedade da rainha sua mãe em fazer uma festa de batismo incrível, provocou um lapso de memória que a fez deixar de incluir uma das fadas arroladas para serem madrinhas. Pagou caro a distração. Tudo andava às mil maravilhas em todo o reino, quando chegou a vingança da rancorosa fada despeitada. Aurorinha picou o dedo numa agulha enfeitiçada e na hora, houve um ataque cataléptico coletivo. Do rei ao ferreiro, todos caíram num profundo e demorado sono e só acordaram quando apareceu um… príncipe encantado.

Quanto à Chapeuzinho Vermelho, pairam dúvidas quanto à sua orfandade paterna. Pode até ser que seu pai fosse um comerciante renomado e vivesse viajando para cumprir se papel de provedor. Mas a doce menininha, além da lidar com pai ausente, ainda teve que carregar o trauma de ter flagrado a avó saindo toda ensangüentada do corte que o caçador fez na barriga do lobo faminto. Problemão…

Dá até pena pensar na Rapunzel lavando seu cabelo. A desencanada passava o dia fazendo tranca e cantando com os passarinhos.

Surgindo do nada também, apareceu um príncipe que acabou ficando cego com o tombo que levou da escada-tranca. Mas bastaram duas lágrimas da ex-cabeluda e tudo voltou às maravilhas e claro, acabaram se casando.

Se dependessem da minha divulgação nos contos de fada, aos meus netos faltariam elementos para o crescimento emocional. Mas, para desencargo de consciência, sabem de cor e salteado todos os contos.

 

Foto: Divulgação

 

 

Comentários 4

  • gaudencia26/03/2013 em 13:58

    Muito bom o conto de fadas, nos ajuda sim emocionalmente, pois lutando contra dificuldades, opressões sempre acreditando que virá um dia a libertação em forma de um bom emprego, uma boa carreira um casamento harmonioso enfim encontrar a felicidade da melhor maneira possivel.bjs Dencinha

  • nivea24/03/2013 em 21:16

    Muito bom, adorei esse ponto de vista!!

  • Ana Boucinhas20/03/2013 em 20:22

    Ai amiga Se a minha missão é levar as pessoas a rirem tanto quanto eu quando escrevo estas bobagens,acho que tenho cumprido direitinho rs.

  • Helena Heloisa20/03/2013 em 11:20

    KKKK. No início germinei a veleidade de EXPLICAR o conto do ponto de vista junguiano etc,etc,etc…Depois me interei de que do ponto de vista de transformação psicológica a sua explicação é inestimável, pois ri durante toda a leitura e meu humor, que estava de sombrio com nuances de assassino, passou a cor-de-rosa com nuvens de neon azulado!!!

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