Cinema – “Elles”

 

A atriz francesa Juliette Binoche protagoniza o drama “Elles”, que estreou nos cinemas de São Paulo.

Com direção de Malgorzata Szumowska, o longa francês narra história da jornalista Anna (Juliette Binoche), que está escrevendo um artigo sobre prostituição de garotas para a revista feminina “Elle”.

Por isso, Anna entrevista Alicja e Charlotte, duas universitárias que se prostituem para pagar os estudos. As garotas parisienses lhe revelam segredos e aventuras. A imersão nesse universo faz com que a jornalista reflita sobre a própria vida.

Não raro, a atriz francesa Juliette Binoche dá asas a projetos que, sem ela, jamais decolariam. É o caso de “Elles”, uma coprodução entre França, Polônia e Alemanha, dirigida pela polonesa Malgorzata Szumowska.

Não há um ponto de partida muito original na trama. Binoche interpreta Anne, uma jornalista de classe média alta, da revista “Elle”. Com um perfil família, a repórter, que é casada com o executivo Patrick (Louis-Do de Lencquesaing) e é mãe de dois filhos, empenha-se em escrever uma ampla reportagem sobre universitárias que trabalham como garotas de programa.

Foto: Divulgação

 

Duas personagens dominam a matéria escrita por Anne: a jovem Alicja (Joanna Kulig), desinibida e sem culpa diante da alta renda que lhe proporciona a atividade clandestina, que ela esconde da mãe na Polônia; e Charlotte (Anaïs Demoustier, de “As Neves do Kilimanjaro”), que disfarça sua verdadeira profissão com um emprego de meio-período no comércio, para enganar o namorado e os pais.

O eixo do roteiro, escrito a quatro mãos pela diretora e Tine Byrckel, é o choque de valores entre a jornalista e as prostitutas — embora, em nenhum momento, o filme se proponha a uma cruzada moral.

De todo modo, é possível perceber falta de sutileza na maneira como a diretora conduz este contraste, reduzindo a clichês as tentativas de Alicja para escandalizar a refinada Anne sobre as ousadias que ela relata viver com seus clientes, enquanto tenta embebedar sua interlocutora.

Foto: Divulgação

 

Charlotte parece uma personagem mais verdadeira, que expõe com mais sinceridade as contradições de sua situação, que se tornam palpáveis na tela, como suas revelações sobre um desastroso encontro com um cliente sádico (Andrzej Chyra) e seus almoços com os pais carinhosos (Valérie Dreville e Jean-Louis Coullo’ch) – desmontando um outro clichê sobre a prostituta que viria, necessariamente, de um meio familiar problemático.

O aspecto em que o filme se revela mais frágil é quando tenta retratar o conflito entre Anne e o marido, ambos ligados a uma história anterior à reportagem com as prostitutas. A dupla se estranha justamente por conta da intimidade das conversas da jornalista com as universitárias — que fazem Anne entrar em contato mais profundo com sua insatisfação emocional.

A diretora perde uma grande oportunidade de tirar melhor proveito de uma intérprete do quilate de Juliette Binoche e investigar, com mais grandeza, um tema que toca de perto a condição feminina.

Foto: Divulgação

 

Fonte: cinema.uol.com.br

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