Campos do Jordão

 

Foram parar nas mãos do poderoso Brigadeiro Rodrigues Jordão, mais de 50 fazendas na região incrustada da Serra da Mantiqueira. Há controvérsias, mas tudo indica que ele foi pisou uma vez só nos seus campos. Também, subir 1700m no lombo de um jumento…traumatizante. 

Algumas tentativas em dar nome à região frustraram-se e em 1915 o distrito passou a se chamar mesmo Campos do Jordão. Nestas alturas, a busca pelo ouro já estava no final, mas o desbravador Vaz da Cunha, no exercício das funções de agente de turismo da região já divulgava as maravilhas paradisíacas da região. 

Foto: Divulgação

Logo o título foi arrebatado pelo sanitarista Domingos Jaguaribe, mas não graças aos pinheiros, as cascatas e as flores. A excepcionalidade do ar é o que era fundamental para a cura de doenças pulmonares que se alastravam pelo país. 

Sem antibióticos, o teor da oxigenação e ozônio superior ao dos Alpes Suíços, tornaram Campos do Jordão a filial de Davos (ex- vi Montanha Encantada de Thomas Mann). 

Graças a Emilio Ribas que idealizou a construção da Estrada de Ferro, foi viabilizado o enorme fluxo de doentes que iam à busca da cura. Aliás, neste período, a hoje alegre Campos do Jordão, vivenciou a expressão máxima da solidariedade humana. Enquanto os sanatórios eram construídos, moradores locais acolhiam as centenas de tuberculosos que chegavam, fazendo o impossível para acomodá-los. 

Até ser comercializada a penicilina descoberta por Fleming, Campos do Jordão abrigou 14 sanatórios e dezenas de pensões preparadas para receberem os doentes. 

Finalmente, diante da possibilidade de cura sem o deslocamento, os sanatórios e hospitais foram sendo substituídos por hotéis pouco a pouco. A estas alturas, os amantes da natureza, no afã de curtirem a tranquilidade, começam a frequentar os hotéis. Atestado médico fazia parte dos documentos para o check-in e em alguns deles, um grande aparelho de Raios-X, garantia a ausência da doença.    

As construções do Palácio do Governo e de hotéis luxuosos deram o impulso inicial para a formação do ciclo do turismo, que não parou mais de crescer. 

Ar excepcional, paisagem espetacular, povo acolhedor e ainda por cima localizado entre três importantes Estados – Rio, SP e MG, não podia dar zebra. Assim Campos do Jordão tornou-se uma das poucas cidades no Brasil a cumprir com êxito total a sua vocação turística, inclusive nesta época do Natal.

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Do triste período de cidade de cura, restou a arquitetura reverenciando a matriz Davos e no pacote, deliciosos pratos oriundos dos Alpes Suíços. Fondues, raclettes, quiches encontram-se na maioria dos cardápios das centenas de restaurantes hoje presentes em Campos. 

Em que pesem as passagens de escritores, políticos, escultores e pintores foram os músicos que se apossaram da vida cultural de Campos. Com efeito, Brecheret, Getúlio Vargas, Monteiro Lobato, Lasar Segall dentre tantos, respiraram o saudável ar, maravilharam-se com as paisagens, tomaram as puríssimas águas, mas não ficarem raízes. 

Quando Luis Arroba Martins e Camargo Guarnieri, em 1970 resolveram criar o Festival de Concertos, o destino fora traçado. No ano seguinte, já se denominando Festival de Inverno, as portas do Palácio reabriram-se novamente e outros locais começaram a apresentar espetáculos musicais. 

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Mas a partir de 1973, Eleazar de Carvalho assume a direção do Festival e transforma Campos do Jordão, num Tanglewood brasileiro. Além dos concertos, bolsistas encontram na cidade a possibilidade de aulas de aperfeiçoamento com renomados professores. Campos torna-se assim o reduto maior da música erudita no Brasil. 

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Passando a temporada, novos e diferentes eventos garantem a permanência do burburinho em Campos. A excepcionalidade dos hotéis torna a hospitaleira cidade em ponto de encontro para infindáveis Convenções, Congressos e encontros de diversas naturezas. 

Que Campos de Jordão sirva de exemplo para centenas de cidades do nosso País, cujas belezas naturais apontam ser o turismo a vocação maior.

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