Caminhos da Tocha

 

Mais uma semana, e as Olimpíadas de Londres ocuparão todos os meios da mídia. Enquanto aguardamos o grande evento, fazemos um sucinto “revival” dos jogos olímpicos. 

Os gregos da antiguidade, já sabendo o que estavam plantando para o futuro, davam a maior força para as competições esportivas. 

Imagine reunir milhares de pessoas naquela época para assistirem as disputas de atletas em cinco modalidades – salto à distância, arremesso de dardo e de disco, luta livre, boxe e as depois cinematográficas corridas de bigas. 

Extremamente preconceituosos, os escravos, os bárbaros e as mulheres, quando muito podiam se unir às torcidas e olhe lá. 

Foto: Divulgação

O evento tinha tamanha importância, que durante as olimpíadas, nada de guerra. Esqueciam-se temporariamente as divergências religiosas entre as cidades gregas e a disputa limitava-se aos concorrentes dos jogos. 

Aliás, deve ter sido este, o motivo que levou o imperador romano Teodósio a acabar com a festividade. Vai saber quais interesses econômicos ele tinha atrás. 

Provavelmente deveria ter uma boa participação na produção de adagas e catapultas. Mas politicamente correto, alegou divergência religiosa e nada de festas, e nem tréguas de guerras. 

Em 1896, não sei por que cargas d’água, o francês Pierre de Fredin, vulgo Barão de Coubertin resolveu recriar na própria Grécia, os jogos olímpicos, outro preconceituoso, proibiu a participação das mulheres. Ainda que tenha aumentado o número de modalidades, as condições para as novas provas eram absolutamente precárias – A natação, por exemplo, era disputada em lagos e rios. 

Mas teve o grande mérito de conceituar os Jogos Olímpicos, como uma oportunidade de promover a união entre os povos. Já que 80 mil pessoas, numa época em que não existia a televisão assistiram aos jogos… bom negócio repeti-lo a cada quatro anos. E assim vem sendo feito e contrariando a tradição, os jogos foram suspensos nas duas grandes guerras. Também, tal seria parar tudo enquanto a antiga tocha olímpica canta.  

Mas a partir de 1948, as nações continuam a se unir em torno das performances dos seus atletas. Como não somos tão antigos, vamos começar por onde nossa memória pode alcançar, com certa lucidez. 

1972 – MUNIQUE – Sem comentários. Apenas a triste lembrança do terrível massacre onde terroristas tomaram como reféns 11 membros da equipe olímpica de Israel. 

1976 – MONTREAL – Traumatizado ainda com o horror de Munique, a preocupação maior do Canadá foi a segurança. Mas a romena Nadia Comaneci com sua graciosidade e leveza, garantiu o brilho desta olimpíada, conquistando três medalhas de ouro com suas espetaculares apresentações na ginástica olímpica. 

Foto: Divulgação

1980 – MOSCOU – A poética ideia da união dos povos não prevaleceu, pois desentendimentos políticos acabaram por proibir a presença de atletas americanos. 

1984 – LOS ANGELES – A Rússia, ainda bronqueada, não deixou seus atletas participarem. 

1988 – CORÉIA DO SUL – Nem as gracinhas dos tigres mascotes impediram que seis países se recusassem a participar, pois não curtiam o conflito entre as duas Coreias. 

1992 – BARCELONA – A Espanha deu um show de organização, conseguindo a presença de todos os 172 países pertencentes ao Comitê Olímpico Internacional. 

1996 – ATLANTA – Além do evento, grandes comemorações pelo centenário dos Jogos Olímpicos. 

2000 – SIDNEY – Festa linda e atletas australianos brilhando. 199 Países fizeram-se representar por seus atletas. O único fora foi do nadador Erig Moussamba, da Guiné Equatorial que deu o maior vexame. Entrou pela primeira vez numa piscina olímpica no dia da prova e quase se afogou e claro, é o recorde negativo imbatível, pois fez 100 metros em 1.52, quando o positivo não passa de 50 segundos.

2004 – ATENAS – Estive às vésperas das Olimpíadas e simplesmente não se podia andar com tantas construções pela cidade. Mas foi um sucesso e 201 países disputando 28 modalidades. 

2008 – PEQUIM – China mostrando a que veio no século XXI – 42 bilhões de dólares foram gastos num espetáculo visto por quatro bilhões de pessoas. A grandiosidade do evento entusiasmou os competidores, que bateram 132 recordes olímpicos. O jamaicano Usain Boilt então, exagerou  em Pequim e assegurou para si, o título imbatível do homem mais rápido do mundo. Ele segurou por 30 metros 43,9km/h e desacelerando, chegou à reta final com 40 km/h. 

2012 – LONDRES – O alvoroço olímpico tomou conta de Londres e aguardamos com entusiasmo e curiosidade o que vem pela frente. Serão 29 as modalidades disputadas. Por enquanto de definido, apenas os simpáticos mascotes, já plenamente adaptados ao novo imaginário infantil – Wenlock e Mandeville homenageiam as respectivas cidades com seus nomes, por serem percussoras dos jogos olímpicos, mas com um grande olho só cada um. 

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2016 – RIO DE JANEIRO – Temos chão pela frente ainda… Mas ingenuamente torcemos para que seja comparável à Barcelona.

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