Caiu um ovo de tubarão na minha rede social

por Ana Boucinhas

Pertencer a uma geração super distante da atual é interessante.
Lá atrás, além da velocidade das informações competir com o andar de uma tartaruga, o interesse pelo conhecimento era bem específico.
A que título uma pessoa normal  iria pesquisar sobre tubarões, fala sério? Eis que, outro dia, apareceu na minha página do facebook uma escultura da natureza, ressaltando ser um ovo de tubarão !!!!!! Por enquadrar-me no rol das pessoas desinteressadas na vida marinha, jurava que o tubarão, por ter um porte que se aproxima um pouco da baleia, fosse mamífero também. Bastou uma clicada no google e surgiu uma aula que deve ser dada no pós graduado do curso de oceonografia. Aliás, no pré vestibular os alunos já sabem que tubarões não são nem primos das baleias, muito menos mamíferos.  

Para os leigos, tubarão é tubarão. Mal sabia eu que existem 375 espécies deles. Com tanta variedade, dá para entender serem três as maneiras de terem seus filhotes: oviparidade, viviparidade e ovoviviparidade.
A “escultura ” que me fascinou pertence à maneira mais popular – a de oviparidade. Na verdade, é um saco de ovos com a consistência de couro que protege os embriões em desenvolvimento. Vulgarmente, é conhecido como “Bolsa de Sereia”. Neste tipo de cria, o número de ovos é variável e sobrevivem todos pois assim que fecundados, mami os deposita perto de rochas para livra-los dos pedradores. Na extremidade desta bolsa, tem uns filamentos que servem para agarra-la na pedra, impedindo que seja arrastada. 

Já no ovoviparidade, é um terror. Os filhotes praticam o canibalismo intrauterino. Os primeiros ovos a eclodirem devoram os embriões em formação. O tal do oviviparidade é até monótono, pois parece uma gestação dos mamíferos, com os filhotes nascendo vivos e sadios.  Confirmada a autenticidade da escultura, acabei tendo outras informações curiosas que acredito que poucos conhecem:  

– Os primeiros tubarões viveram há 400 milhões de anos. Como chegaram a esta precisão são outros quinhentos…

– Os tubarões nunca vão ter cáries, pois vira e mexe trocam a dentição toda. Em média, perdem 6 mil dentes por ano. O tempo de substituição varia entre oito dias a vários meses. 

– Os coitados sofrem de insonia compulsoriamente. Precisam ficar nadando direto, pois se descansarem como gostariam, correm o risco de morrerem afogados… Problemas com o sistema respiratório. 

– Fossem humanos, teriam que usar óculos, pois com a miopia que tem, não enxergam nada a mais de três metros de distância. Mas como os olhos ficam nas laterais da cabeça, o campo de visão pode ser ampliado a quase 360 graus. 

– Em compensação, em matéria de olfato, são imbatíveis. Conseguem perceber uma gota de sangue a 300 metros de distância, em pleno oceano – Nadam, em média, a uma velocidade de 8 km por hora. Mas se der na telha, viram maratonistas e podem alcançar mais de 20 km hora. Aliás, tem uma espécie que é hors concours. Não tem um peixe para concorrer com o tubarão makro. Resolvendo sair em disparada, chega a fazer numa boa 50 km por hora. 

–  A pele dos tubarões é áspera como uma lixa. No Japão, usam-na para cobrir o punho de uma espada chamada katan pois não escorrega de jeito nenhum. 

– Normalmente, povoam os mares por uns 30 anos. Mas tem umas espécies que  vivem 100 anos. 

– O tubarão é bem machista. Para manter a fêmea na posição correta para o acasalamento, tasca-lhe umas mordidas. Parece que no namoro já há esta forma de carinho feroz. Mas tem algumas fêmeas semi feministas que já se protegem tornando mais espessas as próprias peles .
 

E assim, vão alguns momentos de cultura inútil neste maravilhoso mundo da modernidade !!!!! 

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