“Black is beautiful”

 

Enquanto a geração hi-tech prima pela absorção imediata das novas engenhocas eletrônicas que tornam obsoletas as anteriores, nós da geração baby-boomers primávamos pela observação de movimentos lentos, mas firmes de alterações comportamentais.

Assistimos a passagem da mulher negra presa por não ter dado lugar a uma branca em um ônibus, à entrada triunfal de um afrodescendente na porta principal da Casa Branca.

Foto: Divulgação

Algumas décadas se passaram, mas dos passos dados, nenhum foi descartado. Ao contrário. Transformaram-se em sólidos degraus que serviram de escalada do negro na sociedade norte-americana. O sonho do líder pacifista Martin Luther King se realizou…

Vimos estratégias e lobbies muito bem dirigidos, alcançarem com êxito as metas propostas. Na onda da exuberância hippie, o super bem bolado movimento Black Power pegou carona. Enquanto as jovens londrinas produziam trompeils em seus rostos, as afro-americanas avolumavam seus cabelos crespos e neles ostentavam coloridas flores.

As branquinhas inglesas clamavam pela liberdade de ser e as negrinhas americanas viravam-se de costas para o passado de escravatura e levantavam a bandeira do “Black is beautiful”.

Nos palcos e nas telas de cinema, pretos luzidios vivenciavam personagens repletos de valores morais ilibados. Surpreendendo os espectadores, no clássico filme “Adivinhe quem vem para o jantar”, por exemplo, quem aparece não é um loirinho de olhos azuis, mas um tremendo AFRO- Sidney Poitier ostentando todo o charme e beleza interior da sua raça. Coincidência? Não! Lobby inteligente.

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Neste período, músicos extraordinários saíram dos guetos e passaram a disputar aplausos no mundo dos brancos com Elvis Presley e a turma do Rock. Louis Armstrong, Little Richards, Samy Davis Junior dentre centenas de outros, abriram em definitivo as portas para os talentos que hoje se firmam no cenário musical.

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O pacto silencioso driblava qualquer objeção e com altivez sem soberba, a raça negra galgou com dignidade a ascendência politico-sócio cultural. Sem armas e unidos em torno do ideal pregado por Luther King, os afrodescendentes norte americanos foram ocupando bancos de faculdades e postos de relevância na política e na economia norte americana.

Decorridas algumas décadas, a maioria negra de lá comprova que efetivamente “Black is beautiful”.

Nascida em 1954, Oprah Winfrey, por exemplo, uma das garotas pretas proibida a sentar-se nos bancos dos brancos, torna-se uma das 20 mulheres mais poderosas do mundo. Rica, famosa e demonstrando maior orgulho de sua ancestralidade, dentre suas campanhas, espaço aberto para as meninas africanas de hoje.

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Como ela, milhares de afrodescendentes tornaram realidade o sonho do Premio Nobel da Paz Martin Lutter King. Sobre a máxima “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silencio dos bons” o líder provocou a maior revolução na sociedade civil norte americana. O Bill Gates do século XX.

 

Comentários 2

  • Ercilia S. Turato28/01/2013 em 22:12

    Meus parabéns…Seu texto é claro e conciso. Aqui no Brasil agora temos um negro maravilhoso, com qualidades morais superiores a de muitos brancos sem ética e sem escrúpulos. Outros, tenho certeza, virão a ser personalidades nos setores da nossa política/sociocultural, repletos de valores morais como os maiores, como os grandes homens negros da história do mundo contemporâneo. Em breve sitaremos seus nomes e os cultuaremos como o fazem os
    EUA.

  • Virginia Adriano20/11/2012 em 15:33

    Ana,
    Como sempre, seus textos são ótimos…
    A cor da pele não interfere na competência, haja visto nosso presidente do Suremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa….
    Bjs

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