Black Friday à brasileira

por Ana Boucinhas 

Que Papai Noel mantenha sua pesada roupa invernal sob o sol tropical no verão, ok. Afinal de contas, St Klaus é lá do Polo Norte e nada como respeitar as origens do bom velhinho.
O “Halloween”, outra festividade importada, tambem é bem aceita… em termos. As crianças brasileiras adoram as fantasias assustadoras de monstros. Mas muito dificilmente será encontrada uma família Adams debruçada nuns hamburgueres, como acontece nos EUA, felizmente.
Mas esta da Black Friday, que tomou um vulto enorme no Brasil, é dificil digerir.
A tradicional festa do “Thanksgiving Day” está para os norte americanos como o Natal para os brasileiros.
Nesta festiva comemoração, as trocas de presentes dão um tremendo lucro para os comerciantes.
Na década de 60, os varejistas resolveram inventar uma super liquidação no dia seguinte ao do grande evento. Maneira inteligente de zerar seus estoques e renová-los para as festas de final de ano.
A ideia tomou uma dimensão tão grande que pode-se afirmar, sem chance de erro, que a famosa Black Friday é o dia mais barato do ano nos EUA e no Canadá. Restaurantes, cinemas, teatros, passagens e tudo mais que o dinheiro pode comprar entraram no clima, e estão disponíveis por um preço infinitamente menor neste famoso dia.
Aqui no Brasil, inexplicavelmente, chegou o frenesi. E na mesma data, passou a ser instituído o dia da maratona das compras.


Um País com 80% da população distante do Protestantismo e de suas ramificações, que sentido tem o dia da Ação de Graças criado pelo Embaixador Joaquim Nabuco, só porque se encantou com a festa dos americanos na Catedral de São Patrík ?
Claro que não colou e somente as familias de origem americana e canadense repetem o clássico ritual familiar.
Mas a desculpa para fazer uma enorme economia em um dia com preços tão em conta, chegou para ficar.
O modismo, já definitivamente instalado, não deve ser do agrado dos comerciantes aqui no Brasil, pois já promoveram oportunamente as liquidações de inverno.
Mas já que é para seguir a onda, que se queimem as eventuais sobras.


Quem está bobeando são os fornecedores de peru. Deveriam impor o famoso “turkey” com batata doce. Afinal, um  “Thanksgiving Day” sem o tradicional peru com batata doce não tem a menor graça.

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