Beatriz Lassance Brito

 

Beatriz Lassance Brito se formou na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo em 1990, fez residência em Cirurgia Geral também na Santa Casa de São Paulo em 1992, e logo depois fez outra residência em Cirurgia Plástica com Dr. Roberto Millan na Faculdade de Medicina do ABC se formando no ano de 1995. Hoje Beatriz é Membro Titular da Sociedade de Cirurgia Plástica.

 

AV – Em seu consultório, quais os maiores “grilos” das pessoas com mais de sessenta anos?

Dra. Beatriz – Os grilos das pessoas com mais de 60 anos vêm mudando, e muito. São mulheres ativas, geralmente vem ao consultório com pressa, e é difícil conseguir encaixar cirurgia e retorno nas agendas. O maior grilo acho que é melhorar a aparência sem que ninguém note… Antes da queixa recebo recomendações de como elas não querem ficar. Atribuo essa preocupação a técnicas de cirurgia mais agressivas que descaracterizam a fisionomia em busca de aparência completamente “wrinkle free”, o que não é natural em ninguém… Também tenho tido muitas solicitações relacionadas a corpo, como melhora do aspecto das mamas e algumas gordurinhas que incomodam.

AV – Os homens procuram seus serviços profissionais tanto quanto as mulheres?

Dra. Beatriz – Não, a procura feminina ainda é maior, mas a freqüência masculina no consultório vem aumentando gradativamente.

AV- Quais as diferenças entre homens e mulheres quanto ao tipo de cirurgias pretendidas?

Dra. Beatriz – A cirurgia que mais realizo em homens são pálpebras e lipoaspiração quando jovens. As técnicas têm de ser diferentes das pacientes do sexo feminino, pois não podemos conferir aspectos mais femininos a feições masculinas (obviamente há quem o deseje…). Em homens o resultado deve ser ainda mais natural e condizente com a idade, pois ainda existe um preconceito contra procedimentos estéticos.

AV – As cirurgias estéticas pós redução de estomago (não sei o nome técnico, ajude-me, por favor…) estão se tornando mais comuns? Isto indica uma sociedade com tendência à obesidade ou maior consciência?

Dra. Beatriz – A obesidade sempre foi um problema da humanidade civilizada. Durante a evolução da espécie humana tínhamos de nos defender de animais muito maiores e mais velozes que nós e a obtenção de comida também nunca foi muito fácil. Somos preparados geneticamente para longos períodos em jejum, capazes de grandes esforços físicos e por isso temos uma capacidade enorme de armazenar energia.

Essas características nos permitiram sobreviver e evoluir. Porém nosso DNA não foi programado para que nos comunicássemos sem sair do lugar usando um telefone, ir de um lugar a outro sem qualquer gasto de caloria utilizando um carro e muito menos operar com maestria um controle remoto. Toda a ciência e tecnologia que fomos capazes de desenvolver geram menor esforço possível.

A conta não fecha… Geneticamente preparados para gasto de energia e tecnologicamente desenvolvidos para economia da mesma energia. Resultado: obesidade…

Hoje enfrentamos a busca pelo elo calórico perdido. A cirurgia bariátrica (do estômago) vem como parte de um arsenal de medidas para perda de peso. Indivíduos que não conseguiram restabelecer este equilíbrio recorrem à cirurgia para emagrecer.

A cirurgia tem se tornado cada vez mais segura e com menor mortalidade, está até virando moda. Portanto, temos visto muitos pacientes que emagrecem muito, (mas muito mesmo) em curto espaço de tempo e ocorre sobra de pele que não se adapta à nova forma. O número de cirurgias pós bariátricas tem aumentado muito a cada ano. É uma cirurgia muito gratificante, pois me sinto como parte de um processo difícil e repleto de conquistas.

AV – A sociedade ainda exige grandes sacrifícios estéticos, na busca do “forever young”?

Dra. Beatriz – Infelizmente sim. Mas acredito que tantos exageros foram feitos e temos visto tantas deformidades e complicações decorrentes desta busca que está havendo conscientização tanto por parte dos médicos quanto dos pacientes que não existe “forever young”. Mas ainda tenho algumas consultas em que demoro muito explicando, ou melhor, tentando explicar que existem limites.

AV – Você capitaneia um projeto lindíssimo que atende idosos, num mutirão da saúde. Como isto começou?

Dra. Beatriz – Há seis anos, ganhei um convite para um jantar “perua” na Daslu. Era “Le Chefs e Décor”, um jantar anual do Projeto Velho Amigo que arrecada fundos para atender casa de longa permanência que acolhem idosos carentes. Adorei a causa, sempre gostei de trabalhar com idosos e eu estava precisando de algum trabalho social.

O trabalho realizado pelo Projeto me emocionou e encontrei uma maneira de contribuir com aquilo que sei fazer, que é tratar da saúde. Dr. Ricardo Maldonado, diretor do Centro Médico Berrine adorou a idéia de um mutirão e abriu as portas da clínica para estes idosos. Hoje já são seis anos que fazemos o Mutirão da Saúde onde atendemos cerca de 200 idosos semestralmente com várias especialidades médicas e exames de laboratório. O mais encantador é a quantidade de parcerias e voluntários que vêm se juntando a nosso mutirão!

AV – Como médica plástica, quais os seus planos para o futuro?

Dra. Beatriz – Gosto (e preciso) de desafios, meus planos são de continuar estudando novas tecnologias e técnicas. Quero um dia ser uma velhinha trabalhando muito e quem sabe ensinando o que mais gosto de fazer que é cirurgia plástica.

AV – Como foi este passo a passo na sua carreira?

Dra. Beatriz – Sempre gostei de atividades manuais, meu pai tinha a marcenaria como hobby e eu adorava ajudá-lo (sei tudo de torno mecânico!) e minha mãe tinha a esperança que fôssemos donas de casa e nos ensinou muitos trabalhos manuais como tricô, crochê, tapeçaria. Mal sabia ela que todos esses dons me levariam a gostar de cirurgia… Desde o início da faculdade eu já sabia que escolheria alguma área cirúrgica. Dentro da cirurgia eu adorei queimados, que era o maior desafio que eu conhecia, então escolhi cirurgia plástica. Eu adorava emergências, UTI, pronto socorro, mas com a chegada da Isabela tive de escolher uma carreira mais tranqüila. São escolhas e adaptações que fiz e hoje sei que foram muito boas.

AV – Como integrou suas atividades profissionais às responsabilidades familiares?

Dra. Beatriz – Sou casada há 20 anos e tenho uma filha de 15. Sempre tentei aproveitar com intensidade o tempo que tenho em casa com minha família. Meu dia começa muito cedo, com freqüência saio de casa com todos ainda dormindo, e consegui me organizar para não chegar muito tarde e poder ajudar na lição de casa, saber como foi o dia, coordenar o jantar. Meu marido sempre foi um ótimo parceiro. Mas confesso que não é uma tarefa simples.

AV – Qual sua grande força motriz?

Dra. Beatriz – Adorar tudo o que faço.

AV – Quais os conselhos que dá à geração que já está nos sessenta?

Dra. Beatriz – Tenho excelentes exemplos de como envelhecer. Minha mãe hoje com 84 anos tem o hino do Internacional de Porto Alegre como toque no celular, assina TV a cabo por causa da ESPN e está sempre (sempre mesmo) com pressa. Joga na Mega sena para quando ficar velha ter dinheiro. E todos os outros exemplos são de pessoas fazendo planos. Acho que o segredo é esse: sonhar e fazer planos!

AV – Você acredita em paixão?

Dra. Beatriz – Sim, acredito em paixão. Reitero que minha força motriz é adorar com paixão o que faço e o que tenho.

AV – Quais os seus hobbies favoritos?

Dra. Beatriz – Gosto muito de fotografia. Exposições, livros, cursos, qualquer coisa relacionada. Adoro ou um tricô ou crochê…

AV – Costuma ouvir música com que constância?

Dra. Beatriz – Música sempre no carro e em casa. No meu Ipod tem desde MPB até ACDC passando por Norah Jones, Black Eyed Pees e Andrea Boccelli…

AV – Qual sua cor predileta?

Dra. Beatriz – Vermelho (influência colorada da minha mãe).

AV – Se fosse colocar em ordem de preferências, como classificaria seus focos: bolsas, sapatos, vestidos, perfumes, cremes, jóias/bijuterias.

Dra. Beatriz – Sem dúvida bolsas, instrumentos cirúrgicos, equipamentos fotográficos, sapatos.

AV – Um epitáfio/conselho:…

Dra. Beatriz – Sonhar e fazer planos. 

 

Comentários 7

  • maria emilia20/08/2013 em 11:28

    Dra Beatriz alem de ótima no que faz tem uma alegria de viver que é um dom precioso, sou fã!

  • Ana Christina Lopes21/05/2012 em 06:45

    Bia, admiro seu profissionalismo, sua intensa energia e suas indiscutíveis qualidades humanas. Além de seu crescimento no Brasil, inspirou muitos cirurgiões holandeses durante sua estada na Holanda. Saudades de nossos encontros em Amsterdã. Desejo um futuro brilhante. Nunca pare de sonhar e projetar. Todos devemos seguir sua “fórmula”.

  • Cecilia Giffoni29/04/2012 em 09:30

    Beatriz , você é sensacional . A sua entrevista foi deliciosa . Parabens a você e ao Amantes da Vida por ter apresentado você a todos nós .

  • Elaine de Oliveira26/04/2012 em 17:24

    Adorei a entrevista! E me sinto privilegiada em conviver com uma profissional excelente e fantástico Ser Humano que é a Dra. Beatriz!
    Um grande abraço!

  • Roberto Zatz26/04/2012 em 15:43

    É uma grande honra para mim compartilhar de sua amizade.Com muito orgulho voce é um grande exemplo.Bjs

  • Zenia Martins26/04/2012 em 10:05

    Esta “baixinha” é grandiosa! Tive o previlégio de conhece-la qdo de sua temporada em Amsterdam…nos tornamos amigas de verdade…sua ausênsia fisica é uma eterna presença na minha vida diária…sua garra, seu espírito sempre renovador e otimista é uma grande lição de vida!!!
    Sinto mto sua falta, minha Bia querida!
    Veel liefs en veel kusjes!
    Zenia

  • Christiane Simon Barbiero Machado25/04/2012 em 23:18

    Adorei a entrevista da Dr.Beatriz Lassance.Ela é uma pessoa maravilhosa,humana,e uma ótima profissional.Ela é minha ídala.Aprendo muito com ela no dia a dia,no consultório.

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