Barroco Now

 

O Barroco é o novo sensacionalismo estético sugerido pelas passarelas europeias para o inverno 2012-2013. Elaborado, com abundância de detalhes, em agudo contraste com a sóbria e clara racionalidade da working woman – outra proposta importante da temporada – ele representa uma continuação do maximalismo que vem fazendo algazarra na moda.

Foto: Divulgação

Na arte, o estilo barroco surgiu no século 17, na Itália, e espalhou-se pela Europa em seguida, durante cem anos, deixando um legado de obras que combinam composições dramáticas a detalhes ricos, com a intenção real de emocionar. É uma maneira de compor o luxo com poder e autoridade.

Este estilo foi mostrado com mais intensidade justamente nas passarelas italianas, cobertas de sedas preciosas, brocados, veludos, detalhes de renda e peles, extraordinários bordados dourados com pompa eclesiástica, além de pérolas e miçangas metalizadas a granel.

Em desfile dominado por preto e ouro, a Dolce & Gabbana exibiu todo o esplendor do artesanato de alta categoria italiana, numa homenagem às raízes sicilianas de Domenico Dolce.

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Já na Prada, o barroco é outro. Miuccia também acha que a moda do futuro tem raízes no passado. Sua silhueta, entretanto, é obsessivamente alongada, com sobreposições de túnicas e saias sobre calças e bordados com um sabor art decó futurista. O espírito barroco está, afinal, na soma de elementos decorativos pesados.

Em sua segunda coleção de passarela para a Balmain foi o jovem prodígio Oliver Rousteing quem conseguiu sozinho estabelecer o barroco cool da temporada. Ele disse ter sido o ovo Fabergé de pompa russa, presente de Richard Burton a Elizabeth Taylor exposto na Christies de Nova York, que inspirou as volumosas formas de seus já requisitados blazers e jaquetas e também motivou a exorbitante decoratividade nas peças.

Mas, se às vezes os desfiles parecem repetitivos por conta da tentativa das grifes de importarem novas ideias, sobretudo para a imprensa, no showroom é outra coisa. É lá que está toda a variedade de peças que eventualmente vai parar nas araras, bem mais fáceis de consumir.

 

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 Por Costanza Pascolato – Revista Vogue Brasil/Maio 2012

 

 

 

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