Badalos novos em Paris

 

Foto: Divulgação

A partir de hoje 23/3/2013, o mesmo som harmonioso que ressoava antes da Revolução Francesa, volta a inundar a vizinhança da maravilhosa Notre-Dame de Paris. Das comemorações festivas dos 850 anos do início da construção da Catedral, a mais literalmente vibrante é a da troca dos sinos das torres.

Longe de ter sido um processo fácil, o de investir 3,5 milhões de euros nos novos sinos com dois metros de diâmetro, forjados com métodos medievais na Normandia. Desde que uma discreta placa colocada no interior da famosa Catedral anunciando a troca dos sinos até a inauguração formal onde os sinos tocarão em Grand Solennel com intervenção do coro de crianças, muita água rolou. Até carta ao ex-Papa Bento foi enviada, para que intercedesse contra a destruição do patrimônio cultural.

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Claro que houve a participação sonora em datas importantes. O fim da primeira guerra e a libertação de Paris em 44, por exemplo, foram saudadas com efusivas badaladas Até recentemente, as vítimas de 11 de setembro foram homenageadas, mas com uns sons já meio desafinados. Aliás, os sinos realmente originais já tinham sido derretidos pelos revolucionários para a fabricação de canhões. Do conjunto de vinte, sobrou só um, o Emmanuel e assim mesmo ficou escondido, até que Napoleão deu um pito e mandou que tratassem de colocar no lugar.

Quando o Imperador em 1856 resolveu batizar seu filho na Notre-Dame, mandou ver e doou quatro sinos que também receberam nomes de santos franceses. A partir do batizado do pimpolho imperial, Antoinette-Charlotte, Angelique-Françoise, Hyacinbthe-Jeanne e Denise David, juntos aos menores desandaram a badalar a cada 15 minutos. Isto sem falhar.

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Mas mesmo sendo de bronze fundido, haja vida útil para continuar a manter o mesmo som por quase 200 anos. Já estavam pra lá de Marraqueshe e o conjunto estava sendo considerado o pior da França. O único que ficou preservado foi o portentoso Emmanuel Bourdon, que também não se mistura com os outros e só dá o ar da graça em grandes ocasiões. Quando o Papa João Paulo II morreu, por exemplo, desandou a tocar 84 vezes contínuas.

Grandes cerimônias papais ou presidenciais era o som do Emmanuel que imprimia o peso das solenidades. Nele, apenas umas afinações básicas para harmonizar-se aos novos sinos. O monumental projeto chegou à reta final no inicio de fevereiro. Depois de recebidos e abençoados pelo Arcebispo de Paris, ficaram expostos na nave central da Catedral para serem apreciados de perto pela população.

No sábado que antecede o domingo de Ramos, irão subir às torres e de lá voltarão a inundar a Cidade Luz com seus maravilhosos melodiosos sons.

Comentários 4

  • Helena24/03/2013 em 01:38

    Por quem os sinos dobram? Eles dobram por nós, carregando para longe nosso humor melancólico.

  • Paula Bonadia23/03/2013 em 18:11

    Amei! Que bela matéria!

  • Erika Benedet23/03/2013 em 14:26

    Ana parabéns!!!
    bjs

  • Elizabeth Valente23/03/2013 em 12:00

    Aninha, bela matéria de pesquisa e histórias que não podemos deixar perder. Tomara que estando lá o som do “Emmanuel” dê o ar da graça para poder apreciá-lo! bjs

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