Atol das Rocas

 

Chefe da Reserva Biológica Atol das Rocas, Maurizélia de Brito vive há mais de 20 anos entre tartarugas, tubarões e atobás, cuidando do único atol do Atlântico Sul.

Foto: Divulgação

Após 40 horas de chuva e vento em alto-mar, eis que vi ao longe um bando de aves; pouco depois, coqueiros e, por fim, uma areia branquinha e um azul tão intenso que dava vontade de pegar. Era o ano de 1991 – eu chegava pela primeira vez ao Atol das Rocas, a 260 quilômetros de Natal. Naquele contato inicial, tudo me impactou profundamente: as tartarugas e os tubarões na laguna, as 150 mil aves voando e gritando sem parar, as ruínas da antiga casa de faroleiro.

Logo que desembarquei, subi no farol, observei o Atol do alto e pensei: “Pronto, fico aqui pelo resto da minha vida”. E já se vão quase 22 anos dedicados integralmente aos cuidados de proteção e preservação dessa joia única, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial.

Foto: Divulgação

Alterno períodos no Atol e no continente. O transporte é feito pelo catamarã Borandá, em uma operação complicada, sendo qualquer detalhe crucial para a sobrevivência humana.

Os pesquisadores se revezam em estadias de 20 dias, durante as quais se hospedam em um alojamento – no início, dormiam em barracas. Hoje tem até mesmo internet e telefone, funcionando com energia solar. Ninguém mora lá permanentemente e não se pode fazer turismo. Tudo aquilo que é utilizado pelas equipes deve ser levado ao continente. Nem mesmo pescar é permitido dentro dos limites de proteção. E o mais crítico: no Atol não existe manancial natural de água potável. Toda a água doce também é levada no barco e usada com zelo, apenas para saciar a sede e no preparo das refeições.

Foto: Divulgação

Lavar louças e roupas, tomar banho e usar o banheiro, só no mar, com artimanhas desenvolvidas em anos de improvisos e adaptações.

Os resultados positivos das patrulhas contra a pesca ilegal e dos projetos de pesquisa me dão força para superar as dificuldades da gestão e dos confinamentos temporários. E o que é mais valioso: todos que visitam o Atol voltam diferentes.

De alguma forma, ela toca o coração das pessoas e desperta a vontade de lutar pela natureza. O Atol das Rocas fez de mim uma pessoa melhor.

Foto: Divulgação

 

Fonte: Revista RedReport

 

Comentário 1

  • Ana Clara Torres14/02/2013 em 18:21

    Linda matéria!!! As fotos são incríveis…adorei! bj

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