Arraial do Cabo

 

                        Igreja de N. Senhora dos Remédios – Arraial do Cabo

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios de Arraial do Cabo, foi erigida em 1506, num dos pontos mais elevados da cidade, de pau a pique. Nela foi realizada a primeira missa em ambiente fechado no Brasil já que a primeira missa ao ar livre foi em Porto Seguro, na Bahia. É bem bonita, situada junto ao marco da chegada de Américo Vespúcio, que descobriu Arraial do Cabo em 1503.

Vespúcio foi estimulado a chegar às Índias navegando na direção oeste. Participou da expedição de Alonso de Ojeda, tendo contornando o litoral do continente sul-americano, por ordem do rei de Portugal, D. Manuel I. Percorreu o litoral brasileiro inicialmente entre 1501 e 1502, com o objetivo de investigar as potencialidades econômicas e explorar a recém descoberta costa do Brasil. Em agosto de 1501, os tripulantes avistaram terra firme e continuaram a percorrer a costa na direção sul, até entrar, no dia 1º. de janeiro de 1502, na baía do Rio de Janeiro.

Vespúcio retornou ao Brasil entre 1503 e 1504, comandando um navio da frota de Gonçalo Coelho, chegando ao litoral nordestino (Fernando de Noronha em agosto de 1503) e, mais tarde, ao Estado do Rio de Janeiro, na região do Arraial do Cabo Frio, antiga Praia da Rama, hoje, Praia dos Anjos. Conhecida como Paraíso do Atlântico, Arraial do Cabo foi emancipada de Cabo Frio por Leonel Brizola em 13 de maio de 1985. Alguns historiadores concordam que foi, de fato, a primeira feitoria no Brasil. De volta a Lisboa, Vespúcio afirmou haver estado em um novo mundo, ao qual chamou Novus Orbis, porque os antigos o desconheciam.

A popularidade trazida pelas narrativas de suas viagens transformou Américo Vespucci em um dos autores mais vendidos à época, mediante o primeiro texto impresso sobre o Brasil, Mundus Novus, publicado em torno de 1503-1504, em que o autor afirma:

 

“E se no mundo existe algum paraíso terrestre, sem dúvida não deve estar muito longe destes lugares”. 

 

Visitando Arraial do Cabo, há uma semana, durante uma corrida de aventuras chamada K21, fiquei estupefata ao constatar que dentro dos jardins em frente à histórica Igreja, a prefeitura instalou um grupo de garças de cimento pintadas de branco, com bicos cor de laranja, três garças, que acabam com qualquer monumento histórico que se preze. No mesmo local, três bancos de cimento com pintura marmorizada tendo no encosto recortes em feitio de corações, completam a barbárie estética.

O local deveria ser tombado pelo Patrimônio Histórico e qualquer obra aprovada por este órgão, para impedir “adornos” do tipo que, inclusive devem ter custado bastante ao erário público. Note-se que a pintura externa da Igreja, com tinta branca brilhante, também vai de encontro a qualquer princípio estético. Por que não analisar o tipo de pintura usada à época, para manter as características da construção? Pouco foi conservado do que havia em 1506, mas ao menos a aparência histórica deveria ser objetivada.

Inconformada, tirei as fotos que ilustram este depoimento, na esperança de que alguma autoridade tome as medidas necessárias para retirar de um dos locais mais importantes da história do Brasil, a decoração maldita. Acredito que procede uma representação direta ao Promotor do Ministério Publico da Cidade de Arraial do Cabo ou ao Procurador Chefe da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro para que as providências cabíveis sejam tomadas com base na lei de proteção a bens tombados. 

Nossa Senhora dos Remédios nos acuda e faça com que estas aves alcem voo e pousem em outro logradouro levando nos bicos os malfadados bancos! 

 

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