Dr Antranik

 

Antranik Manissadjian nasceu no dia 19 de junho de 1924, em Alepo ao norte da Síria, entre o rio Eufrates e o mar Mediterrâneo, a segunda maior cidade do país e uma das mais antigas do mundo, que detém desde 2006, o título de “Capital Islâmica da Cultura”. Aos seis anos, mais precisamente no dia 05 de dezembro de 1930, o menino Antranik aportou com a mãe, em São Paulo vindo ao encontro do pai que já imigrara no ano anterior.

O crescimento econômico de Alepo dependia principalmente da sua situação geográfica, como rota da seda asiática. A construção do canal de Suez em 1869 permitiu que o comércio se realizasse por mar, dando inicio ao declínio gradual da cidade. Na década de 40, perdeu para a Turquia seu principal acesso para o mar, através da Antioquia e Alexandreta, exacerbando a situação já problemática.

Foi-lhe tomada também extensa área rural e importante linha férrea que a ligava a Mossul. Premidas pelas circunstâncias e na esperança de nova vida, diversas famílias partiram da terra natal, o que trouxe Antranik para o Brasil.

Um acidente que resultou na morte do irmão caçula por traumatismo craniano e provável hematoma subdural não diagnosticado à época e uma drenagem no dorso da mão direita decorrente de um machucado marcaram sua infância a ponto de determinarem a escolha de sua profissão e especialidade: pediatria. Dr. Altunian, o médico que o atendeu na infância, é lembrado até hoje.

Formou-se na USP, em dezembro de 1949, fazendo residência em pediatria nos dois anos subseqüentes. Permaneceu no pronto socorro do Hospital das Clínicas até 1958.

Neste meio tempo, no dia 08 de dezembro de 1951, casou-se com Irene, também de origem armênia tendo quatro filhos que lhes presentearam com sete netos.

Logo que saiu da residência, em 1952, começou a trabalhar também em seu consultório, que mantém até hoje. Aconselha a todos que o segredo do sucesso profissional reside em manter-se sempre atualizado e fazer o que gosta.

É muito grato ao que recebeu do país em termos de educação gratuita, já que teve sua formação inicial garantida no Externato José Bonifácio, escola armênia sem ônus para o aluno e na Faculdade de Medicina que continua sendo um referencial de excelência.

Em 1958 foi designado assistente e chefe da Clínica Pediátrica do Hospital das Clínicas da FMUSP, quando reformou o ambulatório, enfermaria e biblioteca. Tendo se decepcionado com o nível do ensino e assistência pediátrica de outros centros como os do Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, candidatou-se pelo Programa Ponto IV, órgão que tinha como objetivo contribuir para o avanço econômico dos países subdesenvolvidos através de financiamentos a projetos específicos, a conhecer os serviços médicos desta especialidade nos Estados Unidos.

Assim conheceu o que estava sendo feito nos maiores centros médicos da época, em Nova York, Yale, Albany, Boston, Atlanta e Philadelphia, nas melhores universidades das costas do Atlântico e Pacífico norte.

Foto: Divulgação

Retornando ao Brasil, reformulou com sua equipe, a área de pediatria neonatal, criando UTIs neonatal e pediátrica que tiveram grande desenvolvimento quando do estabelecimento do Instituto de Pediatria. Posteriormente, deu origem à Fundação Criança que respalda o Instituto de Tratamento de Câncer Infantil – ITACI.

Ao longo da carreira, Antranik exerceu inúmeras funções, tendo ajudado a formação de incontáveis assistentes, responsáveis por diversas áreas da pediatria, como pneumo e nefro, entre outras.

Vice-Presidente e membro do conselho da AACD, presidente do conselho representativo da comunidade da Igreja Apostólica Armênia do Brasil, presidente da diretoria executiva da Comunidade Armênia de São Paulo, durante doze anos, diretor clínico do Hospital das Clínicas participando do conselho do Instituto da Criança e conselho deliberativo/diretor do HC, secretário da Sociedade Brasileira de Nefrologia, esta máquina de trabalho chamada Antranik afirma que seu êxito sempre teve o respaldo incondicional da esposa, tanto na vida profissional quanto acadêmica.

Nos momentos de lazer, faz caminhada com regularidade, lê livros biográficos sobre personalidades importantes para a humanidade, figuras como Margaret Thatcher e outros. Tendo promovido a recuperação das obras de arte da Igreja Apostólica Armênia, lastima que o povo não se interesse pelo patrimônio público e por gostar de política, abisma-se com as notícias veiculadas sobre o pandemônio nacional neste campo.

É, no entanto, otimista com relação ao futuro e se pudesse voltar atrás no tempo, repetiria tudo de novo, sem mágoas nem arrependimentos.

 

Comentários 6

  • Alessandra Rodrigues Gouvea07/08/2013 em 20:41

    Quando eu tinha 4 anos, eu passei muito mal, e estava com febre de 40 graus e nada abaixava… minha avó que foi enfermeira e conhecia o doutor Antranik me levou ao consultório dele nos jardins, ele me atendeu, mandou minha avó e minha mãe suspender os remédios que estava tomando, e que eu estava com intoxicação com os remédios… e daí eu melhorei…
    Eu Alessandra Rodrigues Gouvea, sou neta da Dona Luisa Amidani Allemandi e que era enfermeira do hospital santa rita… e gostaria muito de agradece-lo por salvar minha vida… hoje sou muito forte…

  • Fábio Yaroussalian21/02/2013 em 11:55

    Tenho a honra e orgulho desse Homem que foi amigo de uma pessoa muito especial que foi meu avô Souren, o professor sabe o quanto eu e minha Família o admiramos e gratos somos. Acho que a coletividade Armênia poderia ter mais carinho e orgulhar-se desse ícone que é o Professor Antranik.

  • Maria Eugenia Cerqueira19/06/2012 em 00:43

    Parabéns para o Antranik!!!!!!!!!!!Feliz aniversário de todas as colunistas do Amantes da Vida!!!

  • Anna Canedo15/06/2012 em 12:44

    Ficou sensacional a reportagem!! Amei!! Parabens!!! Ja dei um share no meu facebook!!
    Mil Bjs

  • Maria Eugenia Cerqueira12/06/2012 em 18:59

    Cuidou dos meus também e não só dos petizes como era sempre consultado em qualquer mazela dos pais… O verdadeiro médico de família, respeitado e admirado por todos!!

  • Walquiria10/06/2012 em 20:09

    Fiquei emocionada em conhecer um pouco da vida daquele médico que cuidou dos meus filhos pequenos.

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