Animais de Estimação

 

Tenho visto e ouvido muitos programas e comentários sobre animais de estimação não usuais como mini porcos, coelhos, lagartos e por aí vai. Muito cuidado com propagandas enganosas que deságuam no abandono dos animais por desconhecimento das características de cada espécie. 

Pessoalmente, por entusiasmo do meu neto, ano passado, adquiri uma “mini” porca, batizada de Gipsy. Hoje em dia, está quase do tamanho das minhas cadelas rodésias (Rodhesian Ridgeback), só que mais parruda. 

Foto: Gipsy

Não fosse eu aficionada por bichos e dispusesse de um espaço grande, já teria desistido de tê-la. Isto porque o que era um jardim, com canteiros de plantas diversas, foi quase totalmente dizimado. Sobraram as samambaias que não devem ser saborosas, os cactos e azaléias. O restante foi extirpado e comido até a raiz! Terei que repaginar o jardim criando algo à prova de porco! A suinocultura alimenta a criação com rações e a gente esquece que porco pasta… É onívoro e tem uma capacidade inesgotável de ingerir comida. Trata-se de um verdadeiro biodigestor! 

A par disto, os porcos encantam, pois são extremamente inteligentes, exímios nadadores e aprendem truques. Afeiçoam-se às pessoas, como cães: não sabendo lamber, dão focinhadas de carinho que pode derrubar quem não estiver atento. É admirável como, apesar da força das mandíbulas, não mordem nem atacam quem os alimenta e cuida. 

Para que se tenha uma idéia, a Gipsy é capaz de comer uma jaca, miolo, casca e caroços, como se fosse um sorvete cremoso… Outro dia, ofereci-lhe uma pescada inteira, crua, de cerca de 400 g que devorou com duas dentadas. Poderia botar para correr qualquer um, se assim o quisesse e, no entanto deita-se de lado, na maior mansidão, oferecendo a pança para ser acarinhada; fecha os olhos felizes, curtindo os afagos. A pele, sem oleosidade, não tem cheiro e é extremamente limpa. Os porcos elegem um lugar determinado para defecar, sempre distante do local onde se alimentam, não dando qualquer trabalho neste aspecto. 

Em dias de calor, Gipsy refresca-se tranqüilamente nos degraus da piscina, na maior sem cerimônia, apoiando a cabeça na borda, fazendo pose. Passeia com os cães, na coleira, rebolando a enorme traseira, toda catita para espanto dos que passam e alegria das crianças que lhe fazem festas, sempre bem recebidas.

Foto: Divulgação

O plano inicial era tê-la dentro de casa, junto aos cães. Impossível já que nenhum vaso estaria a salvo da sua sanha gourmet. Se um móvel estiver impedindo sua passagem, é removido facilmente com a força dos seus músculos dianteiros. Tem que ficar restrita ao jardim, fato com o qual já está afeita. Tem um relógio suíço no estomago e ai de quem atrasar suas lautas refeições: faz um verdadeiro escândalo até ser servida. 

Diante de todos estes percalços, fico preocupada quando vejo anúncios com fotos de porquinhos rosados, de aspecto angelical, temendo pelo destino daqueles que, adquiridos por indivíduos desavisados, sejam descartados pelas inconveniências que podem causar ao se tornarem adultos. Cães e gatos acabam vagando nas ruas, quando abandonados, mas porcos podem terminar virando churrasco, o que é muito pior!   É preciso conscientizar as pessoas, expondo os prós e contras que assumam uma nova espécie como animal de estimação. 

Foto: Gipsy

 

 

Comentário 1

  • Angela18/07/2012 em 11:56

    Parabéns pelo trabalho e por amar os animais. Muita fofa a Gipsy!

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