Adalberto Wickbold

 

Com 82 anos, Adalberto Wickbold auto define-se orgulhosamente como um Amante da Vida.

“Dizem que sou Presidente Emérito das empresas, não me sinto como tal a não ser por meu tempo livre que hoje tento preencher com atitudes que me dão satisfação”.

 

AV – Um pequeno histórico sobre a famosa empresa, Wickbold para matar a nossa curiosidade.

AW – Meus pais, imigrantes alemães depois de muitas dificuldades, montaram em Presidente Wenceslau uma pequena padaria de fundo de quintal. Nascia assim a Wickbold, fazendo pães especiais integrais de centeio e vendidos de porta em porta.

Em 1946, dividia meu tempo entre cursos para melhorar meu desempenho profissional e o trabalho com meu pai.
Como bom observador, curioso, cheio de idéias, fui ampliando meus conhecimentos, o que gerava discussões e entraves com meu pai, pois ele não gostava de arriscar e só investia quando tinha dinheiro no bolso. E eu, sonhando com as notícias sobre fábricas modernas que eram mostradas numa revista americana Banking Industry. Com o falecimento dele, as coisas deslancharam , busquei financiamento no BNDS e foi dado o passo mais importante para o futuro da Wickbold, em 1972.

AV – Durante anos você comprovou ser um excelente empreendedor. Com que idade resolveu sair do comando? 

AW – Na verdade, eu nunca larguei total e oficialmente o direcionamento da Wickbold ou da Casa Suíça. Mas aos 75 anos estava um pouco cansado e deixei meus sucessores, na direção.

AV – Com seu conhecimento e dedicação, no alto dos seus 82 anos consegue se desligar totalmente dos negócios?

AW – Pelo fato de não estar no comando, limito-me a dar sempre que questionado, as orientações e idéias.

AV – Na sua atual realidade de Presidente Emérito da Wickbold e da Casa Suíça, convenhamos que você possui agora, um grande prêmio a usufruir merecidamente – um tempo disponível. Como passou a utilizar sua premiação? 

AW – Dizem que sou Presidente Emérito das empresas, não me sinto como tal a não ser por meu tempo livre que hoje tento preencher com atitudes que me dão satisfação. Quando de manhã, logo cedo, faz sol e depois de ler meu jornal e fazer as palavras cruzadas, sento perto da janela de peito nu banhando-me com aqueles raios quentes e deliciosos. Isto me dá prazer.

AV – Quando iniciou o uso da Internet como fonte de lazer e quais foram suas primeiras buscas de entretenimento? 

AW – Interessei-me por computador quando tive a idéia da fundação da Casa Suíça, para desenhar o logotipo inicial, as embalagens e outros. Comprei o primeiro computador em 1995 quando tive algumas aulas para manejá-lo e até hoje venho modernizando os modelos. Fiz e continuo fazendo uma árvore genealógica das famílias envolvidas na minha vida. Com as pesquisas descobri fatos e fotos que não conhecia.

AV – Sua habilidade tecnológica o insere com naturalidade na era da informática em geral?

AW – Sou fã de novidades e tento acompanhá-las, mas a velocidade me atropelou. Tenho I-pod, I-pad, I-touch, tudo para me distrair, ouvir músicas, ver fotos, etc. Recomendo computador a todos meus parentes, que parece de pronto um bicho de sete cabeças, mas em pouco tempo será dominado e trará os benefícios que eu tanto aproveito e me faz ser um amante da vida. Adoro a vida que levo e sei que para muitas pessoas parece muito chata, mas só quem se insere no mundo virtual como eu consegue entender.

AV – Você pratica alguma atividade física? 

AW – Em casa, mesmo, fazer dois ou três vezes por semana, diversos tipos de exercícios numa “cadeira” bicicleta pedalando e reforçando os músculos tanto das pernas como abdominais, eu recomendo.

AV – Você tem algum hobby? 

AW – Meu hobby é sem dúvida o computador, ele é meu companheiro e me fornece praticamente tudo o que desejo, é só procurar. Relaciono-me com os amigos via e-mail, mandando e recebendo muitos assuntos interessantes, fotos, piadas, notícias, etc.

AV – O prazer das viagens perdeu algum interesse ou continua afivelando malas com satisfação?

AW – Adorava viajar. Mas viajar turisticamente implica em caminhar, passear, usar as pernas. Estas já não me ajudam e agora minhas viagens são praticamente as virtuais. Vou a qualquer lugar do planeta, estudando sua geografia, seu povo, fotografando cidades e pessoas. É uma ótima distração!

AV – Sendo filho de alemães, você curte ensinar seu idioma original aos seus netos? 

AW – Meus netos ainda crianças estudam no Colégio Porto Seguro onde tem aula de alemão e eu sou o “professor 2” deles desta língua. Sempre quando estamos juntos falo algumas frases em alemão.

AV – Quando se chega ao topo da pirâmide familiar, estamos bem vivos, cheios de saúde e entusiasmo, mas nos tornamos “arquivo morto” das histórias do nosso passado. Como lida com esta responsabilidade?

AW – Os pais e avós são os exemplos que os filhos e netos têm, se forem bons, torcemos para que sejam seguidos e se forem maus exemplos servirão como advertência. Dentre as minhas distrações na Internet, está a de fazer a minha árvore genealógica.

AV – Aos maduros que ainda intimidam-se frente ao computador, qual o conselho que daria?

AW – Cada ser humano tem seus predicados próprios e, portanto segue sua consciência fazendo o que mais lhe convier dentro de suas possibilidades, eu estou fazendo. Para mim, como o computador só me traz benefícios, sugiro aos meus amigos que percam o medo, pois não é mesmo nenhum bicho de sete cabeças.

 

 

 

Comentários 8

  • MARCIO ROGERIO DIAS DE CASTRO24/09/2014 em 22:56

    Meu pai trabalhou com o Sr. como segurança (Manoel Jose de Castro), e alguns dias ele relembrou a época e disse que foi com a sua ajuda que conseguiu comprar a casa dele, de pois de tantos alugueis, Por isso resolvi pesquisar sobre o Sr. Agradeço ajuda dada a meu Pai. Lembro-me de passar na frente da casa do Sr. eu tinha uns 14 anos, hoje tenho 42 anos, e cheguei falar com seu filho Tito que me tratou muito bem. eu saia da escola e passava dar boa noite para meu pai. Hoje não passo sem comprar o pão preto, pois o Sr. dava para meu levar para casa. Que o Sr. viva muito anos ainda. abraços. Márcio Castro.

  • Alberto Moura29/06/2014 em 02:01

    Trabalhei na empresa de 05/2008 a 05/2014.
    Não tive o privilégio em conhecê-lo como os demais,
    Mais pelas informações que pude extrair do senhor Adalberto
    É que o mesmo sempre foi uma pessoa criteriosa e sempre gostou
    Das coisas corretas pois isso o senhor seu Adalberto
    Está colhendo aquilo que plantou. Parabéns pelos 82 anos
    E que venha mais 82 se assim for da vontade divina.

  • Marta Hirszberg10/09/2012 em 20:51

    que homem encantador o marido da Silvinha, vou retratar os dois com o maior dos carinhos….bjs Marta

  • flora10/09/2012 em 13:31

    muito legal ver uma pessoa com 82 anos cheio de curiosidade pela vida! Parabéns!!

  • Antonio (Toninho)03/07/2012 em 21:35

    Estou na ativa na Wickbold a 52 anos e posso dizer que tudo que aprendi foi com ele.
    Comecei como vendedor, fui crescendo na empresa e hoje sou gerente de uma das sua filiais (SP).
    Posso dizer que ele é uma pessoa ativa,determinada.
    Parabenizo pela sua vitalidade.

  • Marcio Luis Rocha26/04/2012 em 13:28

    Sr Adalberto estou na WICKBOLD a 10 anos e me sinto orgulhoso de estar, uma grande empresa fundada por uma grande familia, e cheia de atitude.

    Só tenho a agradecer.

  • Sergio Dagmar Andre25/04/2012 em 19:08

    Sr. Adalberto é muito bom saber que aos 82 anos ainda é um amante da vida e um exemplo a ser seguido, continua o homem empreendedor e sem medo e resistencia pelo novo. Parabéns pelos exemplos a serem seguidos pelos jovens, e agradeço ao Sr. os bons exemplos que pude aproveitar no pouco relacionamento que tivemos, mas tudo que aprendi ainda hoje serve como motivação para minha carreira profissional. Parabéns pela vitalidade.

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