A velhice invisível

 

Na Folha de São Paulo, Rosely Sayão, psicóloga e autora de “Como educar meu filho” (Publifolha), escreveu um artigo interessantíssimo sobre o papel das pessoas mais velhas na sociedade e como se tenta tornar a “velhice invisível”.

Destaco a seguir alguns trechos que mais de perto me falaram como mãe e avó, que também deve ser a situação de muitos que leem esta página.

Foto: Divulgação

“Nós não consideramos os velhos importantes em nossa sociedade. Todos nós pensamos que é muito mais importante ser jovem, não é verdade? A palavra “velha” foi transformada em um xingamento e passou a ter caráter tão pejorativo que não conseguimos mais dizer com naturalidade que alguém é velho. Procuramos criar outras expressões que consideramos mais apropriadas. Usamos em substituição, por exemplo, eufemismos como “terceira idade” ou “melhor idade”.

Atualmente os velhos estão segregados em espaços que abrigam seus pares, ou seja: outros velhos. Realizamos bailes para a terceira idade, excursões e shows especiais para eles etc. Isso não deixa de ser uma maneira de nos protegermos da velhice. Quando nós isolamos os “velhos” tornamos a velhice invisível.

O texto continua, com várias ponderações, até que aborda um aspecto que efetivamente sofreu mudança basilar, ao longo dos últimos tempos.

“Hoje, os avós não podem e nem devem mais mimar seus netos. Isso porque são os pais que, agora, se ocupam dessa função, É difícil encontrar mães e pais que não tentem, a qualquer custo, satisfazer todas as vontades de seus filhos, desde as mais simples às mais complexas e caras – em todos os sentidos. Pois eu conheço muitas avós que conseguiram inovar o sentido da palavra “mimar” na relação com seus netos.

Para esses “velhos” da atualidade, mimar passou a ser dedicar tempo aos netos e ter paciência com eles. Contar histórias da família, lembrar casos que aconteceram com seus filhos, agora adultos, quando eram pequenos como são os netos agora, fazer relatos sobre a formação do grupo familiar são meios de passar aos mais novos noções de como é o grupo ao qual eles pertencem. Isso ajuda a construir vínculos e identidade.

Foto: Divulgação

Gastar tempo com os netos é o maior mimo que, hoje, as novas avós podem fazer. Essas mesmas avós lutam com seus filhos para ter um papel mais ativo na educação de seus netos. Lutam mesmo, já que a maioria dos pais considera invasiva essa postura de seus pais de querer ajudar a formar as crianças.”

Rosely Sayão encerra a abordagem com palavras sábias: “Esses avós estão conscientes de que essa atitude que escolheram adotar é duramente criticada pelos filhos. Mesmo assim, eles não desistem. É que eles sabem o quanto é preciosa a boa educação.

Minha mãe costumava vaticinar, quando eu estava indo além dos limites: “Filha és, mãe serás”… Esqueceu-se de complementar o ditado, que agora estendo para “Filha és, mãe e avó serás”!

 

Adicionar comentário