A minha Maratona de Londres

por Maria Eugenia Cerqueira

 

Dia 28 de abril último, participei da Maratona de Londres, pela primeira vez, em comemoração às minhas 72 primaveras. Mais um passo na meta de correr as seis World Marathon Majors. Em minha companhia, estava a filha de uma amiga, muito querida, que iria correr pela primeira vez uma maratona. A ansiedade tanto minha quanto dela, era grande, como sempre ocorre, antes de qualquer prova longa, independentemente do número de corridas das quais se tenha participado.


Chegamos três dias antes da prova e tendo deixado as coisas no hotel, fomos direto para a feira, retirar o chip e número de peito. A exposição é excelente, cheia de ofertas de um milhão de artigos para corredores. A organização perfeita, fluindo as filas de forma ordenada e o atendimento ultra polido e eficiente.
O acesso ao local tranquilíssimo. Fomos de taxi, aproveitando para fazer um mini tour, admirando a cidade com seus prédios tão característicos e na volta, usamos o metrô. O transporte subterrâneo de Londres é perfeito e não custa lembrar que foi o primeiro sistema metroviário do planeta e hoje em dia, é o terceiro maior em extensão, sempre prevendo melhorias.
Já havia visitado a Inglaterra diversas vezes mas nunca na primavera. Os parques explodem em flores coloridas, as sacadas engalanadas, prestigiam a estação mais linda do ano. É um show à parte. Não choveu nenhum dia e pudemos aproveitar efetivamente para curtir a cidade e arredores, com um friozinho agradável.


Dia da prova: mais de 41.000 participantes, organizados em levas de acordo com o pressuposto tempo de término. Fomos de ônibus, o trânsito fluindo perfeitamente. A área de largada imensa, com guarda-volumes, oferta de café, água, chá, banheiros inúmeros e uma pontualidade de largada… britânica! Aliás, menção especial deve ser feita aos oitocentos banheiros espalhados pelo percurso, com descarga, papel disponível e… limpos até o final da prova! Quem corre sabe o que se enfrenta quando precisa usar um sanitário químico no Brasil e pelo mundo afora.
Nosso grupo estava previsto para começar às 10:20 e exatamente nesta precisa hora, o portão abriu-se.


Ao longo de todo o trajeto, uma multidão literalmente ovaciona os corredores. Indo além, oferecem balas, frutas, biscoitos, vaselina, até sorvetes. Muita música, grupos de artistas apresentando-se para dar força à galera, tocando Beatles, Rolling Stones, Queen, Pink Floyd e outros e incontáveis crianças oferecendo as mãozinhas para um high five como símbolo de boas energias e vitórias. Cartazes e mais cartazes incentivando amigos e familiares corredores, fora os de conotação política jocosa sobre o Brexit, dentre eles: “You are faster than Brexit” – você está indo mais rápido que o Brexit, que se arrasta desde a votação de 2016.
Milhares de corredores de vários países aproveitam o evento para reivindicarem sobre temas diversos principalmente sobre a preservação de animais e do clima do planeta. Corri próximo a um rinoceronte, cuja fantasia imensa deveria ser um fardo extremo para quem estava percorrendo 42 km. O público delirava à sua passagem. Acho que todos os Super Heróis estavam lá. Havia até um Jesus Cristo, correndo descalço, de túnica branca e carregando uma cruz! Diz-se que cerca de 75% dos competidores correm por uma causa humanitária, então pode-se ter uma ideia da quantidade de mensagens que carregam. Neste ano, o site da prova informou que quase 55% dos participantes britânicos que se inscreveram iam fazer uma maratona pela primeira vez na vida: um imenso desafio pessoal.


O percurso é plano, cheio de construções charmosas e considerado um dos mais rápidos do mundo. Confesso que quando atravessei a Tower Bridge, que cruza o Tâmisa, precisei concentrar-me para não chorar de emoção! A parte final da prova passa em frente à Torre de Londres, London Eye, Big Ben, Palácio de Buckingham e finalmente a linha de chegada, em frente ao Palácio de St. James, na Avenida The Mall. A festa continua, na entrega das medalhas que mais parece um festival.


Banho tomado, à noite, o grande final: com a linda medalha no peito, uma comemoração imperdível tomando baldes de cerveja num pub tradicional londrino!

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