A joia certa

A JOIA CERTA TEM O PODER DE TRANSFORMAR O VISUAL. CONHEÇA QUATRO MULHERES QUE, POR CAUSA DELAS, MUDARAM DE PROFISSÃO

As joias já encantavam as mulheres muito antes de Marilyn Monroe deixar clara sua paixão por diamantes. A exuberância das pedras e a riqueza do metal continuam fazendo brilhar os olhos de fiéis seguidoras, a ponto de algumas não se contentarem apenas em usá-las. É o caso de Ana LepschCamila Sarpi, Carla Amorim e Mariana Berenguer, que decidiram abandonar a antiga profissão para apostar em um novo caminho, aliando paixão e criatividade.

Camila já tinha um pé na moda quando se descobriu fascinada por joias. Ela havia passado pela área comercial da Christian Dior e trabalhava no showroom da Tufi Duek em Nova York, mas sentia falta de uma atividade artesanal, autoral. “Sempre gostei de criar e encontrei na joalheria esse exercício”, conta. O lado criativo aflorou quando ela resolveu frequentar alguns cursos ainda morando em Manhattan.

Foto: Divulgação

Na volta a São Paulo, depois de sete anos fora do país, viu que era a hora de colocar em prática o que havia aprendido. Entre acertos e erros, em 2006, nasceu a primeira coleção. “Sou detalhista. Prefiro levar um tempão desenvolvendo um produto excelente do que perder qualidade na rapidez”, explica. No seu caso, a atividade funcionou ainda como autoconhecimento. “Vi o quanto minha personalidade combina com a joalheria.”

Nesse processo, enamorar-se por cada um dos materiais é natural. Não importa se é diamante ou madeira. O prazer, diz Camila, é transformá-los em peças únicas, leves, orgânicas e ricas em trabalhos manuais. “Admiro as joias antigas, feitas totalmente a mão. Mais ainda depois que vi a coleção de joias dos sultões em Istambul. Fiquei impressionada com a qualidade da ourivesaria”, comenta a designer, que procura caprichar na finalização de cada peça depois do horário comercial, quando troca o showroom pela prancheta.

Ana Lepsch também não abre mão do controle de cada passo, da pesquisa ao produto final. Sua história com as joias tem a ver com a chegada dos filhos. Quando eles nasceram, ela tirou um período sabático e descobriu que precisava de um novo rumo profissional. O acaso levou a advogada à joalheria. Ana gostava de joias como consumidora, acompanhava o que saía nas revistas, mas só pensou em algo mais sério quando ficou sabendo da existência de um curso no Instituto Europeo di Design, perto de sua casa, em São Paulo.

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A marca nasceu em 2009. Desafiando proporções em formas simples inspiradas na natureza, ela sempre se emociona quando vê uma de suas criações em uma cliente. “Acredito que a joia deve ser uma extensão do corpo. Por isso, é preciso estar atento à beleza natural dos materiais”, revela a designer, que tem motivos de sobra para se orgulhar de ter mudado de área. Suas peças, descomplicadas e divertidas, já ganharam espaço em exposições em Berlim, Nova York, Barcelona e Florença. A fórmula, ensina, é deixar a insegurança de lado e acreditar no próprio estilo.

Foi o que outra advogada, Mariana Berenguer, fez depois de ouvir da designer Syomara Crespi que tinha talento. Mariana sempre levava desenhos e ideias fresquinhas de tendências quando encomendava peças e ganhava elogios da profissional. “Então, ela me convidou para uma parceria. Acabei me identificando com a alquimia da atividade,” explica. O envolvimento com as pedras se tornou uma terapia, e Mariana foi se especializar no Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).

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A preferência por cores e formatos exuberantes virou assinatura de suas peças desde a primeira coleção, lançada no ano passado. Admiradora também do trabalho de Ara VartanianIzabel Esteves e Martin Katz, a nova designer diz que procura aliar sofisticação e praticidade. Formada também em administração, ela ainda não abandonou totalmente o universo das leis, mas seu coração bate cada vez mais forte pela joalheria.

Carla Amorim, já tarimbada nesse universo dourado, pode parecer que nasceu designer, mas também tem um passado longe das criações. “Trabalhei em banco, dei aula de inglês, passei pelo Ibama e quase abri um restaurante”, diz, enumerando o caminho que percorreu até encontrar seu verdadeiro talento. “Já fazia algumas peças, mas era um hobby. Até que um dia percebi que o que eu via como prazer tinha potencial para ser algo mais”, conta.

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Por isso a carreira começou de maneira despretensiosa. Carla ainda morava com os pais na época e usou a casa como ponto comercial. “Como era um entra e sai constante de clientes e ourives, precisei providenciar uma loja.” Ela foi inaugurada em 1994, depois de estudar gemologia e ourivesaria.

“Foi a realização de um sonho. Eu me desenvolvi pessoal e profissionalmente”, comemora. A designer, que é de Brasília, tem as formas de Oscar Niemeyer como inspiração frequente. Atualmente, mantém o ateliê, o escritório e uma loja por lá, além de ter dois endereços e a fábrica em São Paulo.

 

 

Comentário 1

  • M celia gimenez MITRI02/04/2013 em 12:21

    Peças elegantes , refinadas , e necessárias para um visual contemporâneo.

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