A descoberta do Johrei

por Ana Boucinhas

Por total falta de curiosidade, para mim, a Igreja Messiânica era uma das antigas religiões japonesas, trazidas pelos imigrantes nipônicos. Limitava-me a aplaudir os que, mesmo se adaptando na nova pátria, traziam aos seus descendentes a sua cultura religiosa.    

Até que um dia, uma amiga que passava por um forte trauma – e põe forte nisso – me pediu para acompanha-la a um Johrei Center, onde iria haver um culto. Sem ter a menor noção do que iria encontrar, me vi num espaço harmonioso, onde no andar superior encontrava-se um pequeno templo com uma tela com dizeres em japonês no meio do altar e a foto de um senhor oriental à direita.    

Assisti tão respeitosamente quanto surpresa ao ritual litúrgico. Mesmo sem entender o significado, apreciei a delicadeza e o respeito com que eram colocadas no altar uma bandeja com frutas e um bonito arranjo ikebana. Das dezenas de pessoas ali presentes, duas ou três apenas tinham traços orientais, mas TODAS recitavam de cor e salteado uma oração em japonês.


Terminado o culto, senti que a alternância de bancos e cadeiras onde os fiéis  se acomodavam deveria ter um significado. Dito e feito. Algumas pessoas sentavam-se nas cadeiras e estendiam a mão em direção às que estavam posicionadas de frente para elas, no banco. Um bom tempo depois, estas se viravam e era sobre as costas que as mãos eram estendidas.    Naquele gesto, estava sendo administrado o Johrei, que de tanta ajuda estava sendo para a minha amiga querida.


Mas a minha ignorância alcançou uma medida descomunal, assim que descobri  que o Johrei era um dos três pilares de uma religião super recente, quase quase da minha idade: a Messiânica.
O fundador desta igreja, praticamente contemporânea, é o mestre Meishu-Sama. Nela, não há disputa de credos. Não fosse a revelação divina ao estudioso da origem do sofrimento humano, da filosofia e das religiões, o sábio Mokiti Okada não seria reverenciado como uma autoridade religiosa.  Mas não deixaria de ser o ser humano incrível que teve o grande mérito de  fazer entender às pessoas, ser possível viver na terra, o sonhado Paraiso. E sem a menor dúvida, seria conhecido como o “Senhor da Luz”, o significado de seu novo nome.

Mas diante de seu espírito altamente evoluído, recebeu de Deus a missão de construir uma nova civilização, onde os males físicos, a miséria e o conflito dessem espaço à uma sociedade material e espiritualmente desenvolvida. Surgiu assim a igreja messiânica.   

Para Meishu Sama, o que impede o homem de vivenciar na plenitude sua passagem terrena, são as máculas advindas de maus pensamentos e más ações. Não  fosse por inspiração divina, seria impossível entender àquela época que as máculas poderiam ter sido transmitidas por antepassados. Não faz mais do que cinco anos que cientistas têm admitido que traumas sofridos em gerações anteriores podem ser transmitidos no DNA para os seus descendentes.
Mas estas, podem e devem ser eliminadas através da purificação – que é alcançada pelo “Johrei”. Mas, finalmente, o que significa esta palavra mágica?


O mestre alcançou milagres inimagináveis quando começou a transmitir a energia celestial através da imposição de suas mãos sobre as pessoas que o procuravam em busca de curas de seus males, quaisquer que fossem.  A mesma energia era dirigida também aos antepassados, na certeza de que as máculas destes estariam influenciando negativamente os que iam em busca de alívio.

Conhecedor de sua passagem efêmera  na terra, Meishu Sama outorgou a possibilidade de representa-lo na administração da luz divina. Para permanecer vivo, se fez representar por seus seguidores, que após receberem o origari, medalha concedida a quem a merece, podem em seu nome, transmitir a energia purificadora.

Mas basta a purificação através do Johrei  para viver no almejado Paraiso Terrestre?  Parece mentira, mas o sábio Meishu Sama, como que antevendo os enlatados e os agrotóxicos, ressaltava, nos meados do século XX, a importância do alimento natural como a forma ideal para manter a saúde física. Este é o segundo pilar da nova religião. O terceiro meio de elevação do espírito é a apreciação do belo. Ser sensível diante de algo digno de ser apreciado é o meio inteligente de valorizar a vida.
E… onde entra a construção de uma nova civilização, missão  a ele outorgada ?
Meishu Sama precisava deixar para a humanidade, as bases para um mundo ideal real. Para tanto, iniciou no Japão, em 1945, a construção de protótipos de Paraisos Terrestres, conhecidos como Solos Sagrados. As cidades de Hakone, Atami e Kyoto foram as pioneiras a representarem a essência de toda a doutrina e missão da Igreja Messiânica Mundial. Atualmente, existem outros três Solos Sagrados no mundo, todos construídos por seguidores messiânicos.
O Brasil teve o privilégio de ser o primeiro Paraiso Terrestre fora do Japão. Na represa de Guarapiranga, em São Paulo, em uma área de 327.500 m2, milhares de voluntários se revezaram a partir de 1991 e impregnaram a verde área de amor, gratidão, beleza e sinceridade.  Na inauguração, em 1995, com a presença de messiânicos de 24 países, foi inaugurado o Solo Sagrado de Guarapiranga.  

Cada detalhe do projeto foi estudado para proporcionar às pessoas um lugar ideal para elevar a espiritualidade. Sem a menor dúvida, é considerado um dos maiores espaços para a contemplação da natureza e meditação. O idealizador da nova religião faleceu em 1995. Ao lado das bases para a construção de um mundo ideal, Meishu-Sama deixou milhares de ensinamentos a respeito de saúde, educação, agricultura, alimentação, arte, política, dentre outros importantes assuntos, todos eles revelados por Deus, para a transformação da cultura materialista e egoísta em altruísta e espiritualista.
Aos meus queridos leitores, uma pincelada sobre a religião que desponta com força total e que tem sido abraçada por milhares de pessoas que valorizam o poder da espiritualidade para alcançar a felicidade.

Comentários 3

  • Ida Nunez08/01/2019 em 11:52

    Sua descrição é bem precisa, eu fui messiânica e dediquei na assessoria de imprensa do altar.

    • ana maria boucinhas08/01/2019 em 15:40

      Conheci agora e estou bastante impressionada com a nova religião .A ciência e a espiritualidade começam a andar de mãos juntas e a messiânica já alertava para este encontro.
      O lance da luz Divina é aplicada inclusive no Reiki Mas a idéia do Paraiso Terrestre é inovadora
      bjs

    • Ana Maria Bucinhas08/01/2019 em 15:57

      Que pena que não é mais, Realmente estou impressionada com o conceito da nova religião .Tenho observado que neste século a ciência e a espiritualidade começam a dar as mãos Meishu Sama realmente foi um visionário !!!

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