“À beira do abismo me cresceram asas”

 

Devido ao sucesso de crítica e público, o espetáculo “À Beira do Abismo me Cresceram Asas”, de Maitê Proença (baseado em pesquisa e ideia de Fernando Duarte), dirigido por Clarice Niskier e Maitê Proença, com supervisão de Amir Haddad, teve sua temporada prorrogada até o dia 12 de maio. O texto tem como ponto de partida, histórias reais colhidas em diferentes asilos do Brasil. A partir daí, criaram-se novos histórias, ideias, conceitos, costurou-se suspense com magia, brotou a dramaturgia, surgiu a peça e nasceram Terezinha e Valdina.

Nossas velhas são tão crianças, tão jovens e tão maduras enquanto tantas outras sólidas senhoras que vemos pelas ruas. São mulheres tão intrigantes quanto “As Meninas”, que – também pelas mãos de Maitê – deram passagem a elas. 

Foto: Divulgação

“O que você vê quando olha pra mim? Uma velha rabugenta e reclamona? Eu não sou o que você está olhando.  Eu sou aquilo que está dentro do que você está olhando.  E o que eu converso com você vem de lá, eu sou o lado avesso da velha que você vê. – Terezinha

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Teresinha e Valdina são as protagonistas do espetáculo. Valdina (Clarisse Derzié Luz), de 80 anos, parece levar o dia a dia com otimismo, sem nostalgias, mas não se engane, ela carrega um grande segredo. Terezinha (Maitê), de 86, é de temperamento carrancudo ainda que bem resolvido. Em comum têm a praticidade dos que aprenderam a simplificar a vida já que não há tempo para complicá-la.  E têm a grande e indispensável amizade que se desenvolveu pelos anos de convívio.

“Nossas velhas são porretas, contam histórias, falam de tudo sem medir palavras, inclusive de sexo, que é um assunto que não morre. Valdina é uma mistura de Dercy Gonçalves e Ivete Sangalo e a Terezinha é uma Laura Cardoso. Juntas podem tudo!”, resume Maitê.

O lado escritora de Maitê Proença

Paralelamente à carreira de atriz, Maitê segue seu trabalho como escritora. O terceiro livro de sua carreira, É duro ser cabra na Etiópia, chega às livrarias em abril pela editora Agir e apresenta ao público uma nova faceta em sua trajetória: a de editora. A inovação salta aos olhos já no projeto gráfico, absolutamente original, criado por Maitê junto aos designers da Cubículo, com páginas coloridas que foram diagramadas cada uma de um jeito. Os temas e estilos dos textos variam, mas giram em torno de um desafio: deixar a imaginação correr solta dentro do limite de 1.500 caracteres, de preferência com uma boa dose de humor. A partir de 1.622 crônicas enviadas à artista por meio de um site criado por ela especialmente para receber o conteúdo, foi feita uma seleção rigorosa. Entre os autores estão anônimos e famosos, como José Eduardo Agualusa, Tatiana Salem Levy, Clarisse Niskier, Jorge Forbes, Carlos Heitor Cony e a própria Maitê.

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SERVIÇO

Local: Teatro do Leblon – Sala Fernanda Montenegro (Rua Conde Bernadotte, 26 – Leblon)

Horário: quinta a sábado, às 21h, domingo, às 20h

Gênero: comédia dramática

Temporada: 08 de março a 21 de maio

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