30 Bienal de São Paulo

 

São Paulo – Com quase 3 mil obras de 111 artistas do Brasil e do mundo, a 30ª Bienal de São Paulo continua surpreendendo ao público. Segundo a organização, o principal chamariz da edição deste ano fica por conta do ineditismo, já que 75% dos artistas participantes chegam à capital paulista com trabalhos nunca exibidos.

Com o nome de “A Iminência das Poéticas” e orçamento de R$ 22,4 milhões, a 30ª Bienal resolveu deixar um pouco de lado sua mania de grandeza. O visitante que for ao pavilhão projetado por Oscar Niemeyer, no Parque do Ibirapuera, vai perceber que o foco maior ficou com os detalhes e as obras também têm outro perfil, deixando de ocupar grandes salas. Até a listagem dos artistas teve seu perfil alterado. Neste ano, poucos são os nomes com maior apelo ao público geral.

Foto: Divulgação

Uma coisa, porém, continua a mesma: a preocupação com as pichações. Se nas duas edições anteriores, partes internas do pavilhão chegaram a ser danificadas, desta vez a região destinada à entrada do público já foi, digamos, “carimbada”. Mas após sofrer com contas bloqueadas por conta de questionamentos da Controladoria-Geral da União sobre convênios firmados entre 1999 e 2007, a Fundação Bienal de São Paulo conseguiu contornar as coisas junto ao Tribunal Regional Federal de São Paulo (TRF-SP) e desbloquear seus recursos. E agora a mega-exposição está aí para quem quiser ver.

A tentativa de fazer uma Bienal mais intimista parece acompanhar – ou compensar – a programação mais enxuta do evento. Além de reunir menos artistas (o número caiu de 159 na edição passada para 111 nesta, uma redução de 30%), a Bienal 2012 não conta com nenhum grande nome internacional. Uma das raras exceções à delimitação de espaços expositivos acontece no caso do francês Olivier Nottellet, cuja obra consiste em pintar as paredes e pilastras do prédio da Fundação Bienal projetado por Oscar Niemeyer.

Foto: Divulgação

Mesmo separados por paredes, os artistas mantêm um diálogo entre si. Essa intersecção entre as obras é a característica principal da curadoria do venezuelano Luis Pérez-Oramas. O objetivo, segundo ele, é explorar a percepção da imagem, separando uma coisa da outra e, assim, levar à reflexão sobre a profusão da imagem na sociedade contemporânea – e sobre sua consequente banalização.

No centro do segundo andar, por exemplo, está situada uma das maiores áreas expositivas desta edição, a sala de 400 m² dedicada ao homenageado Arthur Bispo do Rosário. Entre as 348 obras feitas a partir de 804 elementos diferentes, há muitas inéditas, que exibem facetas diferentes – como colagens – de seu trabalho, mais marcado pelo uso de estandartes e bordados. Bordados estão presentes também na sala ao lado, de Fernando Marques Penteado, e ainda na da americana Sheila Hicks, que expõe em outro andar sua obra dedicada ao hibridismo entre escultura e performance.

Foto: Divulgação

A relação entre Arthur Bispo do Rosário, Fernando Marques Penteado e Sheila Hicks enriquece a visita das três salas. “A Bienal nos dá a chance de ver a obra de Bispo do Rosário sob um novo ângulo, que não passa necessariamente pela questão da loucura. Exaltamos seu estado de criação pura”, diz Wilson Lázaro, curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. Ainda assim, a loucura é um tema presente no espaço dedicado ao homenageado. Ao lado do Manto da Apresentação, ícone da estética do artista, foi montada uma instalação com 170 peças, como brinquedos e cabides, envoltos numa linha azul desfiada pelo artista do uniforme de interno da instituição psiquiátrica onde passou a maior parte da vida.

Foto: Divulgação

 

Programação: bienal.org.br

O Que: 30ª Bienal de São Paulo
Quando: Até 9 de dezembro
Onde: Pavilhão Bienal – Parque do Ibirapuera. 3ª, 5ª, sábado e domingo, das 9 h às 19h; 5ª e 6ª, das 9 h às 22 h

Fonte: exame.com/veja.abril.com.br

 

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