26 de julho: Dia das avós

“Velhice é a conclusão mais feliz a que uma história pode chegar.”

No Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento, a escritora e roteirista Adriana Falcão define assim o passar dos anos. Nós, do Amantes da Vida, acrescentamos que se nessa história a pessoa tiver incluído filhos e netos, a felicidade é ainda mais plena.

E as duas avós do nosso site, Ana Boucinhas e Maria Eugenia, falam sobre isso neste 26 de julho. Abaixo, a visão íntima e particular de cada uma sobre o que é “avórecer”.

 

Vovós Amantes da Vida
Ana Boucinhas e Maria Eugenia fazem um brinde a todas as avós e todos os netos

 

 

Escreve Ana Boucinhas:

Muito provavelmente alguns dos netos de brasileiras e portuguesas estarão preparando umas gracinhas para comemorar o Dia das Avós em 26 de julho. Muito provavelmente também, devem existir algumas vovozinhas ansiosas e merecedoras dos mimos… acho. Na verdade, tenho pena, em termos, dos netos que não chegaram a ter uma dedicada avó – sempre com uns bolinhos de chuva feitos “by herself”, sentada em uma empombada cadeira de balanço, tricotando uma linda malha, à espera da chegada dos netinhos para a importante comemoração.
Em termos, sim, pois na velocidade com que a era da informação atua, os netos do seculo XXI odeiam frituras e acham o maior mico usar uma malha que não seja da Abercombrie ou de outra marca mais badalada.
E a cadeira de balanço, talvez, fosse divertida apenas nos poucos segundos em que as mãos deles estivessem separadas das engenhocas eletrônicas. Mudaram eles e mudamos nós, as novas vovós.
Só em visualizar a patética cena, já entro no maior entusiasmo por ser uma avó que participa ferozmente da descaracterização da avó “à la antiga”. Ficar velha é chato. Mas encanar na velhice é uma estupidez…
Depois de tantos estudos e pesquisas para prolongar a expectativa de vida é no mínimo uma gravíssima ofensa aos cientistas, continuar no “nheco nheco” da cadeira de balanço, esperando a morte chegar.
HELLOW !!!! Missões já cumpridas, a ordem é “simbora viver a vida”!
Passada a grande curtição dos primeiros anos do netinho, as novas avós são encontradas mais em academias de ginástica, na frente de computadores, lutando por causas, do que ao lado do bercinho.
Mas, apesar da nova roupagem da avó antenada, o coração permanece clássico no amor.
Neste dia, a nós dedicado, que nos curvemos à homenagem. E resgatando o carinho que as velhas avós tinham conosco, façamos o que for mais prazeroso para curtirmos o nosso dia ao lado dos adorados netos.
E… sem mágoas se recebermos por “zapzap” só um “Oi vóvis. Adoro você.”
Eles nem imaginam como era antigamente !!!!!!

 

Diz Maria Eugenia:

Muito se ouve que ser avó é ser mãe duas vezes… Não concordo: nada se compara à emoção de segurar nos braços um filho e vê-lo crescer, fazer-se gente e sair pelo mundo. É um sentimento visceral, tão profundo em todo reino animal que impõe a morte a quem quer que ameace sua prole. Ter ou não filhos é um ato volitivo, mas esquivar-se dele, ainda que levando em conta os sacrifícios decorrentes dessa decisão, é abrir mão de todos os momentos maravilhosos que vêm em decorrência.
Avó é diferente, não tem voz ativa nem responsabilidade ou obrigações com relação à vida e educação dos netos. Cabe aos pais esta tarefa. É uma admiração respeitosa e distante, um outro tipo de cuidado.
Reconhece-se na geração dos netos, muitas particularidades herdadas dos pais – jeitos, reações já mais distantes, numa mistura com outros genes.
A avó é uma observadora, uma atriz coadjuvante na cena da vida dos netos – a mãe, a atriz principal cujo papel precisa ser respeitado.
Sugestões, críticas e opiniões devem ser medidas e calculadas – uma outra realidade está à frente. A roda da vida gira…
Deixemos às avós o privilégio de brincar de boneca outra vez, passear, curtir os momentos disponíveis e no futuro ser uma lembrança agradável e querida na memória dos netos. Dia da avó é uma redundância comercial – o que vale mesmo, é o Dia das Mães.

 

E pra vocês, o que é “avórecer” nos dias atuais?
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